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Saudoso co-Irmão, mestre e amigo Irmão Egídio na ocasião do 30º dia da sua partida para a eternidade

 

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13/11/2006: Brazil

 

”Sursum Corda! Corações ao Alto! Erguei as almas! Toda matéria é espírito.”
Fernando Pessoa


Irmão Egídio Luiz Setti
*31 de março de 1919 - +16 de outubro de 2006



“Um dia, pronto, me acabo / e seja o que Deus quiser / Morrer, que me importa, o diabo / é deixar de viver”, disse Mário Quintana (1906-1994). Quem teve a dita de conviver com o Ir. Egídio há de concordar que também poderia ser dele a supracitada máxima do poeta gaúcho.

Dizem as escrituras sagradas (Ecl 3, 1-8) que “debaixo do céu há momento para tudo, e tempo certo para cada coisa: tempo para nascer e tempo para morrer”. A morte e a vida não são contrárias; são irmãs. A reverência pela vida exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. A aceitação da morte será nosso último ato de obediência filial, prescreve as Constituições Maristas: (C 44,b).

Assim, no dia 16 de outubro de 2006, em Florianópolis, SC, o nosso velho guerreiro Irmão Egídio Luiz Setti (*31/03/1919), entregou a sua bela alma à irmã-morte, partindo para o abraço do Pai e de Maria, sua terna e Boa Mãe, a quem tão bem soube amar e servir em vida, ele que a exemplo do discípulo amado sempre ”a acolheu em sua casa” (Jo 19,27).

Com sabedoria Goethe, escritor e poeta alemão (1749-1832), disse que “a morte é uma impossibilidade que, de repente, se torna realidade” a nos ensinar a transitoriedade de muitas coisas. E, de fato, a morte sempre chega de surpresa, até mesmo quando a pessoa encontra-se em estado de saúde delicado, mas, continua lutando pela vida e, de outro lado, a família, a comunidade, os amigos, esperançosos por uma possível recuperação.

hspace=5“Ninguém pode fugir ao amor e à morte; morremos um pouco cada vez que perdemos um ente querido”, observou o escritor latino Publilius Syrius (séc. I a.C.). O chamado da morte é um chamado de amor; a morte pode ser doce se respondemos positivamente, se a aceitamos como uma das grandes formas eternas de vida e de transformação, assinalou o escritor e poeta alemão Hermann Hesse (1877-1962).

Consternados com o passamento do saudoso Irmão, consola-nos a veracidade do verso popular de que “fica sempre um pouco de perfume, nas mãos que oferecem rosas, nas mãos que sabem ser generosas”. Estamos seguros de que ele partiu, como que embalado pelo poema da pedagoga, jornalista e escritora Cecília Meireles (1901-1964): “É preciso não esquecer nada: / nem a torneira aberta / nem o fogo aceso, / nem o sorriso para os infelizes / nem a oração de cada instante. / É preciso não esquecer de ver a nova borboleta / nem o céu de sempre. / O que é preciso é esquecer o nosso rosto, / o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso / o dia carregado de atos, / a idéia de recompensa e de glória. / O que é preciso é ser como se já não fôssemos, / vigiados pelos próprios olhos / severos conosco, pois o resto não nos pertence”.

Recordar a morte de um ente querido é celebrar a vida plena em Deus. A esperança cristã nos anima a acreditar que o saudoso Irmão Egídio nos precedeu na eternidade, uma vez que o sacrifício de Jesus selou para sempre a certeza da vida em plenitude do homem. Homem de oração, de espiritualidade e de fé inquebrantável, ao morrer deve ter expirado: ”Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23, 46), ele que diariamente professava: “Creio no Espírito Santo, na santa Igreja Católica, na comunhão dos santos na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na Vida Eterna”.

Apesar de decisiva, a morte pode ser amada, compreendida, sentida, chorada, apreendendo do fato as melhores lições de vida e de amor das pessoas que fizeram parte do mundo de cada um de nós. A qualidade e o exemplo de vida do Ir. Egídio nos remetem ao chamado maior para a construção de uma vida de santidade em nossa peregrinação terrena, uma vez que a própria morte nos ensina como continuar a vida.

Dotado de muitos predicados humanos e de qualidades espirituais, o Ir. Egídio atuou por diversas vezes como professor e diretor nos Centros de Formação à Vida Marista, nos Colégios Maristas, na PUCPR, na Editora FTD. Também foi Ecônomo, Superior Provincial e de Comunidades Religiosas. Por onde passou pode-se assegurar que viveu em alto grau as características maristas da “Pedagogia integral”, da “Pedagogia da presença atenta e acolhedora”, da “Pedagogia da simplicidade”, da “Pedagogia da vida de família”, da “Pedagogia do esforço e da constância”, da “Pedagogia marial – educar do jeito de Maria”.

Marista de têmpera – muito antes do XX Capítulo Geral do Instituto Marista proclamar como prioridade: “centrar apaixonadamente nossas vidas e comunidades em Jesus Cristo, como Maria” (2001) – o Ir. Egídio pautou toda a sua existência buscando sempre a centralidade e a convergência de Jesus e Seu Evangelho em suas ações. Destacou-se pelo seu entranhado amor à Maria, Mãe de Deus, e por torná-la conhecida e amada. Nos colégios, sobretudo, não perdia ocasião de apresentá-la como a mulher forte da Bíblia, o modelo perfeito do cristão, a mestra de vida, a nossa mãe na ordem da fé, o caminho seguro para Jesus. Por muitos anos pertenceu a comissões e equipes mariais, sendo o fundador e o diretor da Revista NOVA AURORA, a única publicação brasileira no gênero da propagação de uma mariologia esclarecida e cristocêntrica. Em vida, ele desejou ardentemente assistir ao renascimento da revista, sua obra prima. Com certeza, Nossa Senhora continua a ser a sua AURORA sempre NOVA e o seu consolo, acolhendo-o em seu regaço de mãe, ele que vibrava ao cantar: ”Com minha Mãe estarei na santa glória um dia ao lado de Maria no céu triunfarei! No céu, no céu, com minha Mãe estarei!”.

O Ir. Egídio “foi fiel à vocação e nela perseverou corajosamente”, conforme pedira São Marcelino no seu Testamento Espiritual. Tinha um profundo amor ao Instituto Marista, ao Fundador e um zelo especial aos documentos da instituição e do magistério da Igreja, às coisas da casa. Em São Paulo, constituiu o Memorial Champagnat como acervo da preservação de todo o patrimônio histórico, cultural e documental da Província Marista, dos colégios, editora, de São Marcelino... De pronto, corrigia aqueles que tentavam chamar pejorativamente tal espaço de “Museu”.

Uma outra paixão da vida do Irmão Egídio foi a Editora FTD. Como amava, valorizava e defendia esse empreendimento marista e quantos foram os sofrimentos e esforços envidados para mantê-la sólida e contemporânea! Apóstolo do livro didático estava mesmo convencido a exemplo do genioso escritor e patriota Monteiro Lobato, que “um país se faz com homens e livros”. Era um amante inveterado da leitura. Daí, o fato de ser uma pessoa culta. Igualmente foi o seu desvelo e devotamento às lideranças e funcionários – aos leigos – não somente aos da editora. Sabia inspirar-lhes auto-estima, comprometimento, seriedade, confiança, amizade, respeito, religiosidade, determinação, amor à causa.

As árvores também sempre exerceram um fascínio sobre o Ir. Egídio. Ele sabia que amar as árvores é uma atitude de cidadania. Prova disso é o fato de sempre ter plantado árvores por onde passou. E como se arvorava ao saber que outrem as haviam derrubado! Parecia que o seu próprio organismo fora agredido e cortado. Mas, logo se refazia, pois como lembra um verso da poetisa Cecília Meireles: Aprendi com a primavera a deixar-me cortar e voltar sempre inteira. A propósito, afirmou Tom Jobim, pianista, compositor e maestro brasileiro, “quando uma árvore é cortada ela renasce em outro lugar e quando eu morrer quero ir para esse lugar, onde as árvores vivem em paz”. Outra não deve ser a sorte do querido Ir. Egídio: feliz agora à sombra de alguma palmeira, ipê-amarelo, pinheiro, flamboyant, jequitibá... ou de alguma frondosa mangueira.

Enfim, o Ir. Egídio entendeu e viveu um dos mais belos versos de Caetano Veloso: ”Cada um sabe a dor e delícia de ser o que é”. Homem de palavra e religioso de retidão e, à primeira vista, impetuoso e de “pavio-curto”, no fundo não era pessoa de guardar mágoas e ressentimentos. Logo se transformava, mostrando-se condescendente, compassivo e amistoso. E assim é a vida, a gente morre é para provar que viveu, disse o nosso literato, contista, novelista, romancista e diplomata, Guimarães Rosa (1908-1967). E, podemos atestar, o Ir. Egídio viveu intensamente e em plenitude uma vida fecunda de doação de si a Deus, aos outros, aos irmãos, à sua família religiosa.

por Irmão Benê Oliveira, fms – Ctba, out. / 2006

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