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Pe. Jean-Baptiste Pompallier
29/12/1835

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Para facilitar a aprovação da Sociedade de Maria, D. Gaston de Pins, em nome dos padres maristas, havia escrito ao cardeal Fransoni, de Roma, aceitando as proposições que o Vaticano fazia à Sociedade de Maria (ver essas proposições no comentário da carta anterior). Depois do compromisso de aceitação, escrito no dia 20 de novembro, passaram-se quase três meses de silêncio por parte de Roma: nenhuma comunicação do Vaticano! Durante esse nervoso tempo de espera, voltou o assunto da casa central para os dois grupos de padres maristas. É um dos temas desta carta do Pe. Pompallier, que sugere a compra do local definitivo em Lião, idéia apoiada pelo Pe. Cholleton; porém a proposta da casa central em Lião (já havia aquela de Valbenoîte, para a diocese de Lião, e a “Capucinière” para a diocese de Belley), não foi apoiada pelo Pe. Colin, que deixou o assunto pendente (Carta n° 82).

J.M.J.
Senhor e respeitável superior:

Tenho diversas coisas que comunicar-vos; mas antes de começar, rogo-vos que recebais os meus votos de bom ano. Possam eles aumentar para vós as bênçãos abundantes que mereceis aos olhos do Senhor por tantos piedosos Irmãos que formastes e por tantos jovens que recebem a vida da salvação, pelo vosso zelo na sólida educação católica.

No outro dia, entreguei aos Irmãos do Orfanato uma carta do Pe. Cholleton para que vo-la levassem. É pedido para assumir a escola de um digno pároco que, com o seu rebanho, merece considerações as mais seletas dos nossos superiores e da nossa parte. Perante o bom Deus, vede como podereis responder a essa solicitação.

Escrevi ao Pe. Colin, superior de Belley, como havíamos combinado. Comuniquei-lhe que, mui provavelmente, poderíamos ir ambos a Belley, nos primeiros dias depois da Epifania. Assim, espero-vos aqui em Lião nessa época. Poucos dias antes que eu lhe escrevesse, recebi carta sua que me faz pensar. Muito desejo entreter-me convosco sobre isso.


Não há novidades desde que tive a honra de visitar-vos. Roma mantém ainda si- lêncio sobre a decisão definitiva, que aguar- damos, no concernente à missão projetada e, por conseqüência, da centralização da nossa obra. Também não há nada resolvido quanto à aquisição da propriedade para os nossos padres, em Lião.

No regresso do encontro que teve convosco, o Irmão Mathieu visitou-me e, orientado por vós, testemunhou-me o desejo de, junto com os seus coirmãos, dirigir-se a mim para a confissão. Da minha parte nada saberia recusar nem a vós nem aos vossos filhos, mas vou fazer-vos algumas observações de prudência a esse respeito. A execução do projeto de construir a casa central para os nossos padres, em Lião, ainda não está ultimada, por causa do silêncio de Roma e da carta do Pe. Colin. Se eu partir para as missões no estrangeiro, antes que esse projeto estivesse assegurado, os Irmãos ficariam sem os padres da Sociedade de Maria, em Lião, talvez por dilatado tempo; eles se veriam obrigados a retornar ao pároco, o que, por certo, o mortificaria. Ponderai se não é conveniente prorrogar os meus cuidados aos Irmãos, até porque eles estão bem. Por outra, comentaremos isso, e muito mais, na vossa visita a Lião.

Faço-vos chegar o pequeno frasco do remédio de que vos falei. Aceitai-o como muito modesto penhor de amizade. Desejo que o soberano médico do alto se sirva dele para repor-vos em plena saúde.

Os meus votos, estendei-os também ao Pe. Servant e a todos os nossos bons Irmãos.


Em união com os divinos corações de Jesus e de Maria, recomendo-me instantemen- te aos santos sacrifícios e às orações de todos vós. Tenho a honra de ser, com respeito e devotamento, senhor e respeitável superior, o vosso muito humilde e muito obediente servidor, POMPALLIER, padre m.

A minha consideração e o meu saudar ao Pe. Terraillon.
Lião, 29 de dezembro de 1835.

P.S. O Pe. Fontbonne prometeu visitar-me em Lião, depois das festas, mas circunstâncias de viagem, sem dúvida, impediram-no. Não deve ele ir também a Belley? Que esteja pronto para a época designada.

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