Social networking

Marist Brothers

RSS YouTube FaceBook Twitter

 

Today's picture

Paraguay: Movimiento Navegar - Oviedo

Marist Brothers - Archive of pictures

Archive of pictures

 

Latest updates

 


Calls of the XXII General Chapter



FMSI


Archive of updates

 

Marist Calendar

21 September

Saint Matthew, Apostle
International Day of Peace (ONU)

Marist Calendar - September

Homilia do Papa João Paulo II durante a Santa Missa de Canonização de Marcelino Champagnat, João Calábria e Agostina Lívia Pietrantoni

 

Homilia do Santo Padre João Paulo II
João Paulo II - 18/04/1999

Download WORD (20 kb)

In other languages
English  Español  Français  Italiano  

1. «Tomou o pão e abençoou-o, depois partiu-o e entregou-lho. Nisto os olhos dos discípulos abriram-se e eles reconheceram Jesus» (Lc 24, 30-31). 

Escutámos há pouco estas palavras do Evangelho de Lucas: elas narram o encontro de Jesus com dois discípulos a caminho rumo à aldeia de Emaús, no mesmo dia da ressurreição. Este encontro inesperado suscita o júbilo no coração dos dois viandantes desconfortados e volta a dar-lhes esperança. O Evangelho narra que, quando O reconheceram, «se levantaram e voltaram para Jerusalém» (Lc 24, 33). Sentiam a necessidade de informar os Apóstolos do «que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus quando Ele partiu o pão» (Lc 24, 35). 

O desejo de dar testemunho de Jesus brota, no coração dos crentes, do encontro pessoal com Ele. Foi o que aconteceu aos três novos Santos, que hoje tenho a alegria de elevar à glória dos altares: Marcelino Champagnat, João Calábria e Agostinha Lívia Pietrantoni. Eles abriram os seus olhos face aos sinais da presença de Cristo: adoraram-n'O e receberam-n'O na Eucaristia, amaram-n'O nos irmãos mais necessitados, reconheceram os sinais do seu desígnio de salvação nos acontecimentos da existência quotidiana. 

Ouviram as palavras de Jesus e cultivaram a sua companhia, sentindo arder dentro do peito o coração. Que fascínio indescritível exerce a misteriosa presença do Senhor em quantos O acolhem! É a experiência dos santos. É a mesma experiência espiritual que podemos fazer nós, encaminhados pelas veredas do mundo rumo à pátria celeste. O Ressuscitado também vem ao nosso encontro com a sua Palavra, revelando-nos o seu amor infinito no Sacramento do Pão eucarístico, partido para a salvação da humanidade inteira. Possam os olhos do nosso espírito abrir-se à sua verdade e ao seu amor, como aconteceu com Marcelino Benedito Champagnat, com o Pe. João Calábria e com a Irmã Agostinha Lívia Pietrantoni. 

2. «Porventura não nos ardia o coração no peito, quando Ele nos explicava as Escrituras?». Este desejo ardente de Deus que sentiam os discípulos de Emaús manifesta-se profundamente em Marcelino Champagnat, que foi um sacerdote conquistado pelo amor de Jesus e de Maria. Graças à sua fé inabalável, permaneceu fiel a Cristo, mesmo nos momentos difíceis, num mundo por vezes privado do sentido de Deus. Também nós somos chamados a haurir a nossa força na contemplação de Cristo ressuscitado, seguindo o exemplo da Virgem Maria. 

São Marcelino anunciava o Evangelho com coração totalmente ardente. Foi sensível às necessidades espirituais e educativas da sua época, sobretudo a ignorância religiosa e as situações de abandono vividas em particular pela juventude. O seu sentido pastoral é exemplar para os sacerdotes: chamados a proclamar a Boa Nova, eles devem ser de igual modo para os jovens, que procuram dar sentido à sua vida, verdadeiros educadores, acompanhando-os ao longo do seu caminho e explicando-lhes as Escrituras. O Padre Champagnat é também um modelo para os pais e os educadores, ajudando-os a ter plena esperança nos jovens, a amá-los com um amor total que favoreça uma verdadeira formação humana, moral e espiritual. 

Marcelino Champagnat também nos convida a ser missionários, para fazer com que Jesus Cristo seja conhecido e amado, como fizeram os Irmãos maristas, indo até à Ásia e à Oceânia. Tendo Maria como guia e Mãe, o cristão é missionário e servidor dos homens. Peçamos ao Senhor a graça de termos um coração ardente como o de Marcelino Champagnat, para O reconhecer e sermos Suas testemunhas. 

3. «Deus ressuscitou este Jesus. E nós todos somos testemunhas disso» (Act 2, 32).

«E nós todos somos testemunhas disso»: é Pedro quem fala em nome dos Apóstolos. Na sua voz, reconhecemos a de outros numerosos discípulos, que no decorrer dos séculos fizeram da sua vida um testemunho do Senhor morto e ressuscitado. Os santos hoje canonizados unem-se a este coro. Une-se o Pe. João Calábria, testemunha exemplar da Ressurreição. Nele resplandecem a fé ardente, a caridade genuína, o espírito de sacrifício, o amor à pobreza, o zelo pelas almas e a fidelidade à Igreja. 

No ano do Pai, que nos introduz no Grande Jubileu do Ano 2000, somos convidados a dar o máximo relevo à virtude da caridade. Toda a existência de João Calábria foi um evangelho vivo, transbordante de caridade: caridade para com Deus e caridade para com os irmãos, sobretudo com os mais pobres. A fonte do seu amor para com o próximo eram a confiança ilimitada e o abandono filial que sentia em relação ao Pai celeste. Gostava de repetir aos seus colaboradores as palavras evangélicas: «Em primeiro lugar buscai o Reino de Deus e a sua justiça, e Deus vos dará, em acréscimo, todas essas coisas» (Mt 6, 33). 

4. O ideal evangélico da caridade para com o próximo, especialmente para com os pequeninos, os doentes e os abandonados, levou também Lívia Pietrantoni aos cumes da santidade. Formada na escola de Santa Joana Antida Thouret, a Irmã Agostinha compreendeu que o amor a Jesus exige o serviço generoso aos irmãos. De facto, é no rosto deles, sobretudo no dos mais necessitados, que brilha o rosto de Cristo. «Deus» deu a «única bússola» que orientou todas as suas opções de vida. «Amarás», o primeiro e fundamental mandamento, posto no início da «Regra de vida das Irmãs da Caridade», foi a fonte inspiradora dos gestos de solidariedade da nova Santa, o estímulo interior que a sustentou na doação de si ao próximo. 

Na primeira Carta de Pedro, que há pouco escutámos, lemos que a redenção não se verificou «com coisas perecíveis, isto é, com prata nem ouro», mas com o «precioso sangue de Cristo, como o de um cordeiro sem defeito e sem mancha» (1 Pd 1, 19). A consciência do valor infinito do Sangue de Cristo, derramado por nós, induziu Santa Agostinha Lívia Pietrantoni a responder ao amor de Deus com um amor igualmente generoso e incondicionado, manifestado no humilde e fiel serviço aos «queridos pobres», como ela costumava repetir. 

Disposta a qualquer sacrifício, testemunha heróica da caridade, pagou com o sangue o preço da fidelidade ao Amor. Possam o seu exemplo e a sua intercessão obter para o Instituto das Irmãs da Caridade, que este ano celebra o segundo centenário de fundação, um renovado impulso apostólico. 

5. «Fica connosco, pois já é tarde e a noite já se aproxima» (Lc 24, 29). Os dois viandantes cansados suplicaram a Jesus que ficasse na casa deles a fim de partilharem o mesmo pão. 

Fica connosco, Senhor ressuscitado! Esta é também a nossa aspiração quotidiana. Se ficares connosco, o nosso coração estará em paz. 

Acompanha-nos, como fizeste com os discípulos de Emaús, no nosso caminho pessoal e eclesial. 

Abre os nossos olhos, para que saibamos reconhecer os sinais da tua inefável presença. 

Torna-nos dóceis à escuta do teu Espírito. Alimentados todos os dias com o teu Corpo e Sangue, saberemos reconhecer-Te e servir-Te-emos nos nossos irmãos. 

Maria, Rainha dos Santos, ajuda-nos a manter a nossa fé e a nossa esperança firmes em Deus (cf. 1 Pd 1, 21). 

São Marcelino Benedito Champagnat, São João Calábria e Santa Agostinha Lívia Pietrantoni orai por nós!

3178 visits