Como apresentar Maria aos jovens de hoje

Ir. Aleixo Maria Autran

21/Jun/2010

Algumas décadas passadas circulava na Congregacáo Maris-ta um manual, muito apreciado na época, cujo título era todo um programa e urna ambicáo: « Marta ensinada á mocidade ». Os Irmáos timbravam em colocar ante os olhos e no coracáo de todos os seus alunos a imagem evangélica da Mae de Jesús. Fa-lavam-lhes com entusiasmo nao apenas de « María histórica », mas também de « María nossa », « María de todos os tempos», «María presente no Misterio de Cristo », o mesmo ontem, hoje e pelos sáculos. Todos os sábados, no mes de maio e ñas principáis fes-tas marianas, a juventude maris-ta era convidada a olhar demo-radamente para o seu Modelo e Mae, seu Recurso Ordinario. Es-sa catequese marial nem sempre foi isenta de particularismos e deficiencias. Nos anos 50, tornou-se objeto de críticas e apreensoes, tema de pesquisas e campo de novas experiencias pastorais. Cul-pava-se entáo sua índole repetitiva, sua pobreza bíblico-teológi-ca, sua tendencia ao sentimentalismo, etc. O Capítulo de 1958 preocupou-se um pouco com ela.

 

Houve tentativas de novos manuais segundo o método dinàmico progressivo da catequese de entáo. Era a época da renovacáo dos métodos.

Passados vinte anos e, em muitas partes, já quase desaparecida a catequese «dos sábados», continuamos a nos interrogar: Como apresentar Maria aos jovens de hoje?

 

I Parte

PISTAS E ORIENTACÖES RECENTES

 

I – Uma sondagem esclarecedora:

 

Em 1963, numa dissertacáo apresentada ao Instituto Iesus Magister de Roma, conseguimos reunir e analisar um grande número de respostas de alunos maristas a um questionàrio destinado a levantar a atitude (ou atitudes) do jovem em face da Virgem Maria1. Nossa hipótese de trabalho era bem simples: alunos maristas sao particularmente sensíveis à devocáo marial, gracas ao catecismo sabatino que lhes é ministrado ano após ano. Tínhamos, no entanto, a conviccáo de que, através do inquérito, nos seria mais fácil detectar as linhas de renovacáo necessària em nossa apresenta-cáo da Virgem María. « Será autentica a mensagem marial que nos esfor-camos por transmitir á juventude? » — tal foi a pergunta básica do estudo feito.

Os limites desse artigo nao nos permitem estender-nos mais sobre essa « Enquéte Mariale », que delineou bastante bem, apesar de suas falhas, a grandeza e a pobreza da vida crista de nossos alunos de entáo « sob o signo de María ». Concluíamos o trabalho com algumas sugestoes pastorais que, depois, tivemos a alegría de ver confirmadas pelas orientacòes do Concilio.

Mas, por que citar uma pesquisa de 15 anos atrás? Nao certamente para documentar uma página da reflexáo marista ñas vésperas do Vaticano II. Voltamos a essa velha dissertacáo porque, acreditamos, eia serviu de embasamento a determinadas diretrizes que o Capítulo Geral de 1968 deu sobre a materia.

 

II – O precioso Documento Marial:

 

No próximo 21 de novembre ocorrerá o 10° aniversario da promulga-çâo solene do documento capitular: « La Sainte Vierge dans la vie du Frère M ariste ».

Escapa-nos verdadeira razâo da pouca produtividade ñas Provincias desse texto, que foi tao bem acolhido pelo Capítulo e discretamente louva-do fora dele. Talvez tenha aparecido durante a « era glaciaria » da mario-logia no pós-Concílio. Em todo o caso, a Conferencia Gérai dos Provinciais de 1971 ouviu do Irmâo Superior Geral consideracóes oportunas sobre a necessidade de se transmitir à juventude que se educa em nossos colegios uma espiritualidade mariai em novos moldes e as seguintes palavras: té' preciso que a Virgem Santissima volte a ser como outrora o coraçâo e a alma, a primeira Superiora do Instituto2 ». A monumental circular de 08 de setembro de 1976: « Um novo espaço para Maria3 », referindo-se ao Documento Marial de 1968, constatava que o 16° Capítulo Geral fora muito feliz ao falar de María, mas nao conseguiu fazer passar a mensagem marial para a vida dos Irmâos.

Que nos dizia o Documento Marial? Naturalmente foi urna «resposta provisoria », uma etapa de nossa reflexâo. Cremos, porém, que suas principáis intuiçôes permanecem válidas e muito sugestivas. Nele se lê, por exem-plo, que o escopo da catequese marial é « propor ao jovem uma auténtica de-voçâo a Nossa Senhora e desenvolver nele o senso marial, iniciando-o no conhecimento do Misterio de Maria segundo a fé e a doutrina da Igreja4 ». Toda catequese é marial de certa forma, pois nâo se pode formular o Misterio de Cristo sem referencia ao papel de Maria na Encarnacáo. Mas o específico da assim chamada « catequese marial » é anunciar, sistematizar e aprofundar esta funçâo de Maria e seu significado na Historia da Salvaçâo. Para tanto, há-de ser uma catequese integrada no conjunto do Misterio Cristáo; adaptada à evoluçâo psico-religiosa do aluno, à cultura e à mentalidade do meio e aos acontecimentos; e vivencial, levando à oraçâo, ao testemunho de vida e ao engajamento apostòlico.

A catequese, porém, como « palavra » ou ensino é um momento privilegiado de todo o processo da educacáo religiosa. E esta, ñas casas maristas, vem marcada pela presença discreta de Maria, a educadora. A pedagogia marista visa a dar ao jovem cristáo « uma mentalidade e um coraçâo semelhantes aos de Maria » (5). Em outros termos, nosso pro jeto educativo se inspira na maneira de Maria viver o Evangelho e se desenvolve sob o in-fluxo de sua oraçâo (intercessâo) materna.

Nâo se enganou o Capítulo Geral de Renovacáo: nao se faz catequese marial profunda e renovada, sem catequistas e educadores convertidos à nova imagem conciliar de Maria e impregnados do espirito de Maria, humilde, simples e modesta, toda consagrada a Jesus- como quería o B. Cham-pagnat que fossem seus Irmâozinhos de todos os tempos.

 

Ili – A Exortaçâo Apostólica « Marialis Cultus »:

 

Muita gente, depois do Vaticano II, deixou de falar de Maria, nâo por duvidar delà ou lhe querer menos bem, mas por medo de falar mal. O problema nâo foi tanto: « Deve-se falar de Maria hoje?5 », e sim: « Como falar bem de Maria em nosso tempo de profundas e rápidas mudanças culturáis6? ».

Paulo VI, cujo magisterio se caracteriza também por uma perseverante, afetuosa e adaptada catequese mariana ao Povo de Deus7, veio em socorro e em estímulo dos catequistas e pregadores com a exortaçâo apostòlica « Marialis Cultus ». Esse texto, saído em 1974, continua suscitando grande interesse e se tem revelado mina quase inesgotável de pastoral mariana para o nosso tempo. Há quem o considere « obra prima » no gènero. Rica de intuiçôes marianas, pràtica e oportuna, vasada em linguagem simples e nova, a Marialis Cultus vai muito além do campo estritamente litùrgico; é manancial e paradigma de excelente catequese sobre Maria; ensina-nos a falar de Maria e a viver o Evangelho com Maria.

Os mesmos principios apontados pelo Papa à renovacáo do culto e da devoçâo a Nossa Senhora, a saber: referencia trinitaria, cristológica, pneu-matológica e eclesial, indole biblica e orientaçâo antropològica (essa ùltima constituí uma originalidade do documento e urna novidade) valem igualmente para a catequese mariana. Aqui verifica-se que a « lex orandi » estais) Idem, ibidem – Cap. V, n° 3 – Educaçâo Marial. belece a «lex loquendi ». O culto é escola de catequese. Dogma, culto e ca-tequese se articulam no mesmo horizonte de compreensáo e de expressáo. Falaremos de Maria como se fala na Liturgia e, preferentemente, na lingua-gem da Sagrada Escritura, pois é da Palavra de Deus vivenciada pela Igreja que dimana o nosso conhecimento da Mae do Senhor e Prototipo da Igreja.

Paulo VI insiste ñas directivas do Concilio sobre o culto e a devocáo a Maria, purificados de suas falsificacoes, renovados e harmonizados com a Liturgia, abertos ao ecumenismo e inseridos na vida contemporánea.

Quantos de nos já meditamos profundamente no capítulo VIII da Lumen Gentium e nessa maravilhosa «Marialis Cultus8 »?.

 

IV – Novas Tendencias na Igreja:

 

A catequese mañana é premissa necessária para urna eficaz renovacáo e evangelizacáo da piedade popular. Depois de tantas suspeitas e críticas, o tema da «piedade popular » voltou ao primeiro plano no interesse de teólogos e pastores. Na Evangelii Nuntiandi9, Paulo VI chama a atencáo dos evangelizadores para esta realidade «táo rica e táo vulnerável ».

No momento de redigirmos essas linhas, prepara-se a Conferencia do Episcopado Latino-americano, marcada para Puebla (México) em outubro p.v. Tema central: «a evangelizacáo no presente e no futuro da América Latina». No documento de consulta, enviado aos Bispos para estudos e consulta, fala-se evidentemente da devocáo a Maria como constante em nosso povo. Maria está associada á paixáo e á alegría dessa gente profundamente religiosa e evangelizada sob o signo de Cristo Crucificado e da devocáo a Maria10.

Embora reconhecendo bom o texto sobre Maria, nesse documento previo á Conferencia de Puebla, os teólogos da Clar fizeram- lhe urna crítica, que revela urna nova tendencia. Eis suas palavras: « (Ao texto mariano falta-lhe) a importante achega da Marialis Cultus, na qual María é apresen-tada como a Mulher Libertadora, a Mulher forte que levantou a voz para pedir justica para os pisoteados e castigo para os ricos soberbos » (sic)11. é' o novo enfoque da teología, e consequentemente da mariologia, na perspectiva da «libertacáo », gracas ao qual a imagem histórica de Jesús e de Maria ganham novo interesse. O Magnificat ilumina, por assim dizer, urna nova imagem da máe do Salvador. Podemos perguntar até que ponto essa « abordagem » nao será fruto de projecoes ideológicas… Em todo o caso, nao deixa de ser legítima e promissora tal releitura da Escritura (e da figura de Nossa Senhora) a partir da situacáo do nosso tempo e do nosso Continente. Como afirmou Leonardo Boff12: «Na Escritura há urna virtua-lidade de sentidos que se explicam em contacto com novas situacoes sócio-históricas » e « nossa situacáo atual diagnosticada como cativeiro e opressào social e política se apresenta como um lugar hermenéutico privilegiado para lermos o Magnificat de Maria e fazer-nos ouvintes de sua mensagem. O hiño da Virgem surgiu no quadro de relacoes correspondentes às nossas. Por isso ele nos soa táo próximo e táo atual ».

Outro teólogo brasileiro sugere que as ceb's (comunidades eclesiais de base) se tornem canteiros para a edificacáo e reestruturacáo da devocáo mariana popular numa linha libertadora13. A redescoberta da presenca significativa de Maria na vida e na esperanca do povo fiel deve levar-nos a recolocar os aspectos mariológicos (fazer mariologia e catequese mariana) para dentro do contexto de pobreza e libertacáo, que caracteriza a situacáo desse povo. Outro ponto de inteleccáo do Misterio de Maria, a pobre mulher de Nazaré que se tornou máe libertadora do novo Povo de Deus. Teologia mariana popular, catequese marial a partir da « mariologia dos simples », revalorizacáo e evangelizacáo (o que supoe nao poucas purificacòes) da piedade popular- que seara promissora num futuro bem próximo! Fundados para educar preferentemente a juventude marginalizada e pobre, os Irmáos Ma-ristas nao poderiam colaborar ativa e criativamente nessa tarefa de Igreja?

 

V – No Sínodo da Catequese:

Maria, « Estrela da Evangelizacáo » segundo a expressáo de Paulo VI14, foi quem « tornou legível o Verbo de Deus », como se lé numa graciosa inscri-cáo na Abadía grega de Grottaferrata, e quem «presidiu na prece ao ini-ciar-se da evangelizacáo sob a acáo do Espirito Santo ». Sua presen 5a é sempre evangelizadora: anuncia-nos e faz-nos viver o Misterio de Cristo Morto e Resuscitado.

Foi o que se afirmou também no Sínodo dos Bispos, reunido em Roma no passado 1977, para estudar o problema da « catequese no nosso tempo, especialmente para as enancas e os jovens ». Eia nào é apenas urna dimen-sáo indispensável da catequese como modelo e máe no ministerio catequé-tico da Igreja e no compromisso catequético de cada um. Nos misterios de sua existencia, Maria é « compendio de catequese », é um « catecismo vivo », que chama os fiéis e sobretudo os jovens ao compromisso da fé e da perfeicáo crista15.

Esperamos que os resultados práticos desse Sínodo se facam sentir tam-bém no empenho de todos os responsáveis pela catequese marial rejuve-nescida. O conhecimento e o culto de Maria se desenvolveram na Igreja à luz do Misterio de Cristo e na medida em que se ia aprofundando esse Misterio. Ho je que estamos vivendo urna época « dominada e absorvida pela questáo de Jesus16 », o Espirito Santo deve estar preparando nova primavera na revelacáo da face oculta de Maria, a primeira crista, modelo original e máe dos fiéis. Ele mesmo estará abrindo « um novo espaco para María » no coracáo dos homens.

Prova disso nào seráo as riquíssimas « pistas e orientacoes » que temos recebi do para cumprir o derradeiro dése jo de Champagnat: « Fazei-a amar por toda a parte tanto quanto vos seja possível »? E, qual o Irmáo que ainda nào ouviu os jovens lhe pedirem explícita ou veladamente: « Fale-nos de María, somos « vidrados » nela, queremos aprofundamento »?!

E' o Espirito que provoca essa repercussào em nossos coracòes da pie-dade filial do pròprio Jesus Cristo para com a humilde Virgem Maria.

 

 

II Parte

ALGUNS PONTOS NUCLEARES DA CATEQUESE MARIAL

 

Nem tudo o que a tradicáo nos trouxe em forma de afirmacoes sobre a Pessoa de Nossa Senhora parece ter o mesmo valor para a catequese que devemos dar hoje.

O que dizer, o que ensinar sobre Maria, Màe de Jesus? Como apresen-tá-la aos jovens de modo que sua mensagem seja realmente para eles urna « boa nova » do Senhor Jesus? Por mais receptivos que eles possam se mos-tar em relacáo aos misterios de nossa fé, em que linguagem lhes devemos falar desses « misterios » para que lhes sejam « vida »?

 

V – Profissao de fe mariana:

Continuamos a crer com todas as veras de nossa alma que Maria, pobre de Yahweh, foi imaculada em sua conceicào, cresceu cheia de graca e se encontra agora, desde a sua morte, glorificada em corpo e alma por sua assuncào ao céu. Professamos ser eia a màe sempre Virgem de Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus Salvador, e sua generosa companheira, a título singular, na obra da redencáo. Em virtude de sua predestinacáo à maternidade divina e associacáo a Cristo, como imagem original e per-feita (protòtipo) da Igreja, a humilde Serva do Senhor é màe também de todos os membros do Corpo Místico, que somos nós. Em nossa vida espiritual, tanto pessoal como comunitària, experimentamos na fé os efeitos de sua intercessào constante em nosso favor. Sabemos que, unida intimamente ao Espirito Santo e Santificador, eia està sempre presente e atuante no misterio cristào, participando da realeza universal de seu Filho na reconducào dos homens para o Pai. Firmes nessa fé, que nos vem dos séculos passados, sentimo-nos felizes em fazer jus às palavras proféticas da mesma Virgem: «… todas as geracòes me proclamarào bem-aventurada » (Lc. 1, 48). Cheios de amor e gratidào, confessamo-nos e declaramos « filhos espirituais » da pròpria màe de Deus.

Nossa profissao de fé mariana, por mais que se purifique e se reduza ao essencial do Misterio de Maria, será sempre um Amém cordial e completo à Palavra de Deus. Essa Palavra nos foi revelando progressivamente, atra-vés dos séculos de meditacào e de experiencia marial da Igreja, a verda-deira imagem daquela criatura escolhida e formada para ser « modelo da resposta da humanidade resgatada ao designio salvifico ». E, corno recorda a Marialis Cultus, « seu culto (na Igreja) tem corno suprema razáo de ser a insondável e livre vontade de Deus, que, sendo a eterna e divina Carida-de (cfr. 1 Jo. 4, 7-8. 16), realiza todas as coisas segundo um plano de amor: amou-a e fez-lhe grandes coisas (cfr. Le. 1, 49), amou-a por causa de si mesmo e por nossa causa, deu-a a si mesmo e nó-la deu a nós ». (Me. 56).

Sem nenhuma pretensáo de dogmatizar nesse assunto, ousamos avanzar alguns pontos, que a experiencia e a reflexáo nos tém confirmado como realmente interessantes e de extraordinaria atualidade na catequese aos jovens de hoje. Vamos chamá-los de « nucleares », porque ao redor dos mes-mos se desenvolve, de modo mais acessível e convincente, a extrema riqueza do Misterio de Maria.

Em nossa apresentacáo desse Misterio, inseparável do Misterio de Cristo e da Igreja, diremos, pois, que:

 

VI – Maria foi Mulher:

A orientacào antropològica sugerida para o culto mariano (ver MC. 34) nos leva a acentuar na catequese, que é a arte da comunicacào da mensagem crista, a « metodologia de Deus », que quis escolher o « caminho de Maria » (Mulher cfr. Gal. 4,4) para doar-se e revelar-se ao mundo17.

Misterio de Maria e Misterio da Mulher no Plano de Deus. Teologia Marial e Teologia do eterno feminino. Ver Maria a partir do enfoque do fe-minino e compreender a vocacào da mulher à luz de Maria, Màe de Deus feito homem e Figura da Igreja… que pistas promissoras para o futuro da mariologia e para a compreensào e praxis cristas da verdadeira « liberta-cào da mulher »! Estamos ainda no inicio desse programa.

A catequese, no entanto, já pode e deve explorar tais intuicòes. Quando nos lembramos que toda menina, na busca de sua pròpria identidade; leva no íntimo de si mesma a imagem da Mulher perfeita que, em última análise, é María; quando, por outro lado, sabemos que os rapazes, desejo-sos igualmente de realizar sua personalidade em dialogo harmonioso com a mulher, veráo em Maria, Virgem e màe, a síntese viva e trabalhada pelo Espirito Santo dos varios pólos de verdadeiro feminino – percebemos com mais acuidade como é oportuno insistir no « humanismo marial ». Colócalos em contacto direto com o Evangelho que nos faz conhecer « María de Nazaré » será o meio de fazè-los refletir sobre o papel da mulher na historia da salvacáo. Admirando os valores humanos em Maria, mulher livre de todo o egoísmo, criada para amar com coracáo de máe a Deus e à humani-dade, assumida como interlocutora válida no dialogo da Encarnacáo, jovem que soube optar por Cristo e se mostrou sempre aberta, fraterna, engajada na realidade, forte e serena nao obstante as provacoes da vida, simples e humilde no desempenho perfeito de sua altissima missáo- a juventude crista se empolgará realmente pela figura de Nossa Senhora e sua devocáo marial canalizará excelente formacáo humana.

Alias, convém chamar-lhes a atencáo para o que em Maria constituí modelo e exemplo válido para homens e mulheres de todas as condicoes: « em sua vida pessoal, eia aderiu responsavelmente à Vontade de Deus, aco-lheu Sua Palavra é a pos em pràtica ». O discernimento vocacional dos jo-vens e sua formacáo como « homens novos » acharáo em María, Mulher nova e mestra de autenticidade de vida, o caminho mais seguro de éxito. A devocáo mariana, objetivo da catequese sobre María, será vista e cultivada na dimensào do seguimento- imttacáo18.

 

VII – Transparente do Espirito Santo:

Toda apresentacáo de María deve fazer ver e admirar como e quanto age o Espirito Santo na fraqueza e na docilidade de urna criatura.

Em María, a Cheia de Graca e por isso mesmo a Toda Bela, os jovens deveráo contemplar a manifestacáo da maior intervencáo do Espirito em nossa Historia da Salvacáo. Sobre a Virgem de Nazaré desceu o Espirito, no dia da Anunciacáo, culminando todas as suas vindas precedentes no An-tigo Testamento. Daí a importancia de ser profundamente bíblica a catequese marial. María é o ponto de chegada do Israel espiritual, é a Filha de Siáo escatológica entrevista e saudada pelos profetas. Na sua fé e no seu seio virginal o Espirito vai cumprir as promessas da Alianca. Por outro lado, na Virgem da Encarnacáo o Espirito inaugura os tempos messiánicos, a «nova criacáo » em Jesús Cristo. O que se passa em María, acontecerá depois na Igreja de Pentecostés e na Igreja de todos os tempos. Para esta visáo do Misterio de María, ícone da Igreja replena do Espirito, muito aju-daria aos catequistas um estudo serio de Mariologia Bíblica, como felizmente está sendo hoje ensinada e pesquisada19.

O dogma da «imaculada conceicáo », bem como o da «assuncáo corporal», mudam de fisionomía vistos assim á luz da «nova criacáo no Espirito Santo ». Os «privilegios » marianos assumem o alto sentido de «carismas» para toda Igreja, que já desponta em María na sua realizacáo final. Nada em María pode ser considerado fora da perspectiva eclesial. Que bom se nossa catequese lograsse transmitir aos jovens ocidentais algo da compreensáo «pneu-matológica» que da Teotocos gozam nossos irmáos orientáis! Para eles, o Espirito repousa sobre María e faz déla a encarnacáo humana da graca re-cebida.

Em todo o caso, nao podemos olvidar, na catequese mariana, as sabias recomendacoes de Paulo VI: «Devemos… crer que a acáo da Máe da Igreja em favor dos redimidos, nao substituí, nem rivaliza com a acáo onipresente e universal do Espirito Santo, mas a implora e prepara, nao somente com a oracáo de intercessáo em harmonía com os designios divinos contemplados na visáo beatífica, mas também com o influxo directo do exemplo, principalmente, o importantíssimo da máxima docilidade ás inspiracoes do divino Espirito20». A devocáo a María será escola e treinamento de docilidade ao Espirito Santo.

 

VII – Mae libertadora:

Como dizíamos acima, nossa época ideologicamente é marcada pela cons-ciéncia de « cativeiro e opressáo » e pela ànsia de libertacào total em Cristo. Os jovens sào muito sensiveis a esse « sinal dos tempos ». Para eles, sobre-tudo, terà grande impacto a imagem de Maria que se està elaborando como « profetisa, mulher corajosa e forte, comprometida com a libertacào messiànica das injusticas histórico-sociais dos pobres. Esta imagem está nascendo no coracáo do nosso povo (latino-americano) sofrido e oprimido e prenhe de anelos de participacào e de libertacào21 ».

Como faremos para ajudar os mocos e adolescentes a descobrirem a Cantora do Magnificat, cujo coracáo de pobre de Yahweh a tornava pienamente disponível ao próximo e instrumento dócil para a acáo salvadora de Deus? Como mostrar-lhes no canto de Maria o hiño revolucionario do amor redentor, que exclui toda violencia, todo odio, toda injustica?

Será importante ressaltar que, embora denunciando as injusticas so-ciais de seu tempo e de todos os tempos, a Virgem de Nazaré se coloca na perspectiva de Deus, para quem todos necessitam de salvacáo. Suas pala-vras nos relembram, sim, as exigencias cristas de urna ordem política e nos impulsionam para operar a justica na caridade; mas, nao sao nenhum manifesto ideológico de esquerda, nem muito menos de direita.

Compreender e amar a Maria, como Máe Libertadora, isto é, como Máe do Libertador e dos libertados (— dos que necessitam de libertacào) é sal-vaguardar-se do perigo « intimista e alienante » de certo tipo de devocáo mariana, por sinal muito criticado hoje em dia e fator de certo desapreco da juventude pelo culto a Maria. Temos que orientar a piedade marial pelo principio áureo da Marialis Cultus quando diz: « O amor a Maria traduzir-se-á em amor á Igreja, e vice-versa» (27). Na pròpria acáo da Igreja em favor dos pequeninos e marginalizados, em defesa e promocáo dos direitos humanos tantas vezes lesados pelos poderosos desse mundo; na sua aplica-cáo pela paz e concordia social; no seu prodigalizar-se para que todos os homens tenham parte na Salvacáo merecida pela morte de Cristo, os jovens deveráo descobrir a « prolongacáo do amor operoso de María », já demonstrado em Nazaré, na Casa de Isabel, em Cana e sobretudo no Gòlgota. Mas deveráo, também eles, comprometer-se com essa acáo eclesial, se é que de-sejam demonstrar eficazmente sua devocáo a Nossa Senhora.

Nisto consistirá, em última análise, a pedra de toque da verdadeira catequese marial: levar ao engajamento do jeito de María e em alianca com Eia. Pio XII dizia aos congregados marianos de seu tempo que « sua con-sagracáo total à Máe de Deus os tornava instrumentos e como que máos visíveis de María em nosso mundo ». Aqui, se ja-nos permitida urna obser-vacáo paralela: a funcáo pedagógica dessas antigás Congregacoes Marianas ainda nao foi assumida por nenhuma outra forma moderna de formacáo apostólica e espiritual. Nao seria chegado o momento de recriarmos, em nos-sos colegios, <( escolas práticas » de devocáo marial como modalidade de vida crista engajada, sob o signo de María, com a Igreja no mundo e para o mundo?

 

IX – Virgem do Senhor:

Desde sempre a « catequese mariana » deteve-se com particular interesse (e com nao poucas dificuldades) no misterio da Virgindade Perpetua de María, tentado « explicar » ou, pelo menos, compreender algo. Talvez, a énfase era colocada no aspecto moral moralizante. Como a castidade dominava o horizonte de compreensáo da virgindade crista, corria-se o perigo de apresentar Maria Virgem de maneira, senáo errada, pelo menos incompleta. Sua devocáo era tida sobretudo como antídoto da impureza e preservalo da virtude naqueles que recorriam a Eia.

Hoje estamos em melhores condicoes de apreciar a dimensáo teológica, mistérica, que é fundamental na virgindade da Máe de Jesus. Por outro lado, redimensionamos melhor o problema da castidade da juventude. Sem desconhecer a sua problemática afetivo-sexual, tornada mais difícil no contexto de um mundo super-erotizado e no qual diminuí o senso de Deus e o senso do pecado, sabemos, contudo, que o principal problema dos jovens nao é sexo. Sua integracáo nesse dominio será tanto mais fácil quanto fo-rem adquirindo, teorica e praticamente, sólida formacáo axiológica crista. Seria lamentável ignorarmos a eficacia da verdadeira devocáo marial no ama-durecimento de nossos jovens. Mas seria igualmente lamentável reduzir essa devocáo ao Papel único e exclusivo de nossa aliada na luta pela conserva-cao da virtude da castidade.

Isso dito, passemos agora ao principal. Nao podemos calar, na catequese, a fé da Igreja na conceicáo virginal de Jesus Cristo e na consequente virginidade perpètua de Maria. Mas convém ensinar tais verdades, nao tanto numa perspectiva materializante e biológica, quanto na sua significacáo profunda e teológica. O dogma de nossa fé sempre considerou o aspecto biológico desse misterio de Maria (e de Jesus). Maria foi máe e Virgem total: corpo e espirito. Mas é evidentemente importante nao reduzirmos o « sinal luminoso e misterioso » de sua virgindade, na maternidade divina, ao aspecto orgànico. Nossa fidelidade à Palavra de Deus obriga-nos a buscar o seu sentido profundo. Deus quis urna máe sempre Virgem para seu Filho encarnado, como sinal permanente e loquente da divinidade de Jesus, da gratuidade de sua salvacáo e da nova compreensáo da vida que Ele veio trazer-nos, ou seja, o celibato pelo Reino. Há muitas riquezas espirituais no sinal ou se quisermos na linguagem da virgindade integral de Maria. Elas devem ocupar o primeiro plano em nossa catequese e na compreensáo de fé dos jovens.

Urna dessas riquezas, relembrada pela Marialis Cultus (n.° 37), é sem dúvida seu carácter de « opcáo corajosa » por parte de Nossa Senhora. Que Maria tenha ou nao emitido um voto (melhor diríamos um propósito) de virgindade antes da Anunciacáo, disto nao nos pode informar com certeza a exegese atual. Nao importa. Quando Lucas escreveu no capítulo I de seu Evangelho que Maria perguntou ao Anjo: « Como se farà isto, pois nao co-nheco homem (« sou virgem ou pretendo permanecer virgem»), a Igreja de seu tempo já estava certissima que a Máe do Senhor permaneceu sempre na virgindade « por amor ao Reino dos céus ». Poucos séculos mais tarde, o sensus fidelium se expressaria através da pena de um Santo Agostinho afirmando que o Senhor nao quis urna virgindade imposta em sua máe, mas escolheu, para a divina maternidade, justamente alguém que já recebera do Espirito o carisma de urna virgindade voluntaria (e até mesmo comprometida por voto). Fazer os jovens apreciar a coragem de urna moca daquele tempo, em plena espiritualidade e mentalidade do Antigo Testamento, de optar pela virgindade mesmo no casamento, é manifestar-lhes concretamente a novidade do Reino, que o Cristo viria anunciar e realizar. A virgindade de Maria já nos coloca em clima de Páscoa, de Ressurreicáo; é sinal escatològico.

Mas é preciso que falemos também e ao mesmo tempo do « casto e forte amor conjugal » de Maria a José (MC. n.° 57), do seu relacionamento normal e impregnado da « ternura de Deus » por esse companheiro e confidente que Deus lhe dera. Verdadeiramente Maria Virgem foi esposa de José (cfr. Mt. 1, 24; Le. 2, 5); nao foi religiosa dentro de um convento. Embora nao te-nhamos idéia do que seja a psicologia de urna mulher imaculada, nem de sua influencia marcante na alma de José, o justo, podemos adivinhar que ambos tiveram que renunciar juntos a muitos planos de realizacáo a dois, para deixarem liberdade total a Deus de atuar o seu designio salvifico através da maternidade virginal de Maria.

Ultimo aspecto, já implicado nos anteriores, a ser acentuado junto aos jovens: a virgindade de María é sinal de sua total abertura para Deus. « Ne-la nao havia setores reservados. Tudo estava á disposicáo de Deus, ñas circunstancias concretas que Ele escolhesse para irromper em sua casinha de Nazaré » (L. Artigas).

Essa visáo profunda e serena da virgindade de Nossa Senhora muito contribuirá para a formacáo da juventude para o amor como dom de si e, por via de consequència, para a renuncia em vista da plenitude de Deus em nosso coracáo. Eia supoe um contexto de fé, certa afinidade com o sobrenatural, isto é, certa experiencia da graca, do amor como gratuidade e da presenca do Espirito em nós como libertacào. Salvo melhor juízo, nao é pelo misterio da virgindade mariana que se deve comecar urna catequese ou apresentacáo de Maria aos jovens. Nenhum misterio, como esse, está táo relacionado com o da Ressurreicáo de Cristo e o da Eucaristia.

 

X – Nossa Irma e companhiera na fe:

 

Eis um ponto básico da catequese marial de nosso tempo. O Concilio Vaticano II redescobriu e revalorizou o tema da « peregrinacáo de fé » da Virgem Maria, quer dizer, o retrato primitivo de Nossa Senhora. « Bem-aventurada és tu, que acreditaste na Palavra do Senhor » (cfr. Le. 1, 46). Com isso, tivemos a grata surpresa de ficar sabendo que, antes mesmo de ser nossa Máe espiritual, María foi e é nossa « irmà » mais velha no caminhar da fé da Encarnacáo. Foi eia, com efeito, a primeira, no tempo e na profundeza e intensidade, a aderir totalmente a Jesus Cristo. Primeira crista, sua fé superou à de Abraáo e à de todos os crentes.

Na circular mariana do Irmáo Basilio Rueda, encontrariam os catequistas ótimo material para apresentar aos jovens o itinerario de fé da vida de Maria. Eia passou a vida « escutando e meditando » a Palavra, na busca meessante de Deus na pessoa de seu Filho. Esse Filho, que eia concebera em seu coracáo, pela fé, antes mesmo de o ter no seu seio virginal, nem sempre foi transparente para eia. O Evangelho nos documenta muito bem os grandes rasgos e etapas da vida de fé em Maria. Vendo-a sem vacilar, mas ao mesmo tempo sem compreender logo o que ia acontecendo, nossos jovens cristàos váo sentir muita familiaridade com esse modelo vivo e originai da Igreja peregrina. Entenderáo que, de certo modo, eles também partilham com sua Irma e Companheira na fé urna experiencia apaixonante de ca-minhada somente à luz da Palavra de Deus.

Maria conhece nossas dificuldades, pois eia também foi provada. O seu silencio, a sua fidelidade até debaixo da cruz, sua oracáo, sua presenca ben-fazeja na comunidade dos discípulos… que licáo maravilhosa, que convite fascinante para jovens que já descobriram Jesus Cristo!

Nao é de se estranhar que urna catequese á luz de « Maria, peregrina na fé » produza, em pouco tempo, aquele tipo de espiritualidade tanto valorizado pelos focolares: « Ser María », viver a palavra do Evangelho como viveu María. E' urna nova maneira de ver e de seguir Nossa Senhora. Algo que vai além do simples sentimento de confianca filial em sua prote-cáo e, muito menos, se reduz á simples camaradagem e amizade espiritual com Eia. E' intimidade e identificacáo com a alma de Maria. A essa altura, poderá o jovem dizer com alegría e sinceridade: « Maria entrou em minha vida. Vivo, ou pelo menos esforco-me por viver, como Eia ». Que mais po-deria desejar um catequista? Rezemos para que o Senhor suscite jovens as-sim. Rezemos e trabalhemos.

 

XI – Aquela que intercede por nós:

Ultimo ponto que vamos considerar nessa tentativa de uma« mario-logia » para jovens. O relacionamento atual de Maria conosco na comunhào dos santos. Eia está viva em Deus, intercedendo por nós com oracào materna incessante.

Essa Maria de Nazaré, que amou tanto a Deus e a seu povo, que, no momento culminante de sua vida (e de toda a historia) respondeu em nosso nome aceitando a Jesus Salvador e cuja vida é para todos nós caminho a ser seguido, nào se separou de nós por sua Assuncào gloriosa. A oracào foi sempre o meio de comunicacào, que Eia usou, para fazer-se presente ao seu povo. Antes e depois da Encarnacáo, eia foi a mulher que rezava pela hu-manidade. Urna oracào esperanca e amor. Durante a vida de Jesus, viveu a oracào contemplativa e a oracào de intercessào. Virgem orante na visi-tacáo, em Cana, em Pentecostés, assim eia cumpriu sua mediacào maternal em beneficio de todos os homens que seu Filho veio salvar.

Hoje, no céu, eia comunga totalmente à oracào do nosso Mediador Jesus Cristo, sempre vivo junto do Pai para interceder por nós. Maria é o A-mém à oracào de Jesus em nosso favor. E o que eia nào cessa de pedir para seus filhos é, sem dúvida alguma, o Dom do Espìrito Santo. Desse jeito, a Virgem continua a exercer sua maternidade espiritual. Desse jeito, eia penetra em nossas vidas, no intimo de nossos coracòes. Desse jeito, eia é a verdadeira mediadora de todas as gracas.

A catequese marial tem que sublinhar a intercessào celeste e universal de Maria. E' a razào da misteriosa proximidade que Eia conserva conosco, com todos e cada um. E' o fundamento de nosso recurso habitual à sua protecào.

Caberia aqui urna reflexáo sobre o valor da oracào marial, isto é, da oracào a Maria, da oracào cujo tema é Maria, corno fator de catequese mariana. O rosàrio, por exemplo, de indole tao evangélica, levando-nos a contemplar os misterios da Salvacáo « em comunhào com Maria » poderia constituir excelente tipo de oracào marial a ser inspirada através da mesma catequese. Só que a maioria dos jovens custa a descobrir o seu valor. Celebra-còes da Palavra, com forte conteudo marial, sào mais apreciadas. O importante, porém, é incentivar a pràtica de se ter um momento forte de comunhào orante com Maria e fazer com que a oracào marial seja motivadora de atitudes coerentes com nossa admiracào por Maria e desejo de imitá-la. E' preciso insistir que o fruto de toda oracào marial auténtica é a pràtica das palavras de Maria: « Fazei tudo o que Ele vos disser ».

 

III Parte

 

PERGUNTAS E SUGESTOES

Na última parte dessas reflexóes, seja-nos lícito reunir algumas pergun-tas e sugestòes e enderecá-las a urna Congregacáo pioneira na catequese marial.

(1) – A Congregacáo Marista sente-se ainda chamada, como no passa-do, a explicitar o Misterio de Maria através da educacáo e da catequese das crian gas e jovens do nosso tempo? Quais os sinais da vigencia e do vigor desse chamado ?

(2) – A preocupacáo de se revitalizar a devocáo dos Irmàos para com Nossa Senhora e propiciar-lhes meios de desenvolverem melhor sua catequese marial é visível em certos níveis. Quais as iniciativas até hoje provocadas, a nivel de Provincias, pela circular « Um novo espaco para Maria »? Nao seria interessante um intercambio nesse sentido?

(3) – O Centro de l'Hermitage, destinado a aprofundar e divulgar o carisma marista, nào teria algo a fazer na linha da renovacáo catequético-mariana? Ou, dada a imensidade da tarefa, nao conviria antes criar-se outro Centro de estudos e pesquisas só para este firn? Nao seria esta urna res-posta marista á preocupacáo pastoral da Igreja no dominio da catequese?

(4) – Por que temos ainda tao poucas publicacòes marianas, quando vivemos na era das comunicacòes sociais? Urna modesta revista de pastoral mariana, como a Nova Aurora publicada pelo Cema (Centro de Espiritualidade Marial do Brasil) nos tem mostrado a forca de penetracáo dessa forma de catequese. Nao haveria outras no Instituto? O Secretariado Geral está em condicòes para informar sobre as atividades dos Irmàos no campo dos audiovisuais a servico da catequese, bibliotecas e publicacòes?

(5) – Os Irmàos que seguiram cursos de mariologia em Institutos especializados, como o Marianum de Roma, sao solicitados e incentivados a continuarem suas pesquisas e seus estudos sobre Maria? Tornam-se animadores da catequese mariana em suas Provincias? E os Irmàos peritos em catequese, que poderiam oferecer para a renovacáo ou para a retomada da catequese sobre Maria? Nào seria a hora de reuni-los todos num encontró (Congresso?) para acharem juntos as pistas de urna melhor realizacào de nossa missào catequético-mariana?

(6) – Ponto prioritàrio na renovacáo dessa catequese é, sem dúvida, a formacáo de nossos atuais catequistas e dos nossos novicos e escolásticos. Nào basta incluir alguns pontos de mariologia no curriculo de estudos de nossas Casas de Formacáo. Do clima marial, que nelas deve reinar intensámente, à pràtica acompanhada dessa catequese desenvolvida pelos pró-prios formandos; do cultivo de verdadeiras vocacòes mariais ao contacto enriquecedor coni pessoas e instituicòes da Igreja impregnadas do espirito de Maria – tudo deve concorrer para a formacáo dos futuros catequistas de Maria. Hoje, Champagnat nào descuidaría essa prioridade. Sabemos que os mestres e formadores estáo atentos a eia; mas nao é lá táo fácil colocar nossos Irmáozinhos ñas pistas de Maria.

(7) – Finalmente, urna sugestào aos Irmàos idosos e enfermos, que tanto amam à SS.ma Virgem e, por vezes, sofrem com a diminuicáo do fervor mariano em nosso meio. Por que nào convidá-los a assumirem um traballio de colaboracáo espiritual com seus Coirmáos, que querem também revelar Maria aos jovens de hoje e nao sabem muito bem ou já nào sabem corno fazè-lo? Precisamos de catequistas orantes. Além do exemplo de amor e de oracáo a Maria, esses nossos Irmàos tèm por certo urna missào a cumprir na comunháo dos santos. E urna missào mariana.

 

Conclusao:

 

Talvez nao soou ainda a hora de termos um manual padráo de catequese marial. «María ensinada á mocidade » já nao será talvez um projeto de livro didático, mas sim a ambicáo de nossos esforcos na apresentacáo de seu Misterio, de sua significacáo salvífica, de sua personalidade humano–espiritual, ao longo de todo o Misterio Cristáo que nossa catequese vai explicitando. Se ja qual for a modalidade, porém, nao podemos silenciar sua Presenca. Temos nos, irmáos maristas, que falar e escrever mais sobre María para guiar a juventude (e outras pessoas) no seu conhecimento e na sua imitacáo. Nao se trata de organizarmos cruzadas ou maratonas mariais. Nem de fazermos de María um monumento de todos os valores humanos prezados pelos jovens, urna especie de cliché aberto para ilustrar todos os assuntos de atualidade. Trata-se de relermos o Evangelho para os jovens de hoje. O evangelho escrito pelas primeiras comunidades cristas que encontraran! em Marcos, Mateus, Lucas e Joáo os intérpretes do que elas iam descobrindo sobre a máe de Jesús á luz da Ressurreicáo de seu Senhor. E do evangelho que foi e vai sendo lido, através dos tempos, na vida marial da Igreja, nos exemplos dos santos, no coracáo e na piedade dos simples fiéis.

Reler o evangelho para os jovens de hoje e com eles, vai fazer-nos reencontrar o perfil bíblico e inconfundível dessa Mulher, nossa irmá na fé e nossa máe segundo o Espirito, modelo sublime e táo acessível de vida crista. Nin-guém como ela para revelar á juventude o verdadeiro retrato de Jesús Lidertador e o retrato do auténtico discípulo de Jesus. Ninguém, como a Mulher Nova junto a Cristo, o Novo Adáo, para formar hoje, amanhà e sempre homens novos, dóceis ao Espirito, filhos queridos do Pai e irmáos uni-versais.

Digne-se esse Espirito Criador fazer dos maristas zelosos catequistas de María, Máe de Jesus.

Irmáo Aleixo Maria Autran, f.m.s.

Belo Horizonte, 06-06-1978

 

COMMENT PRESENTER MARIE AUX JEUNES D'AUJOURD'HUI?

 

« Faites-la aimer partout, autant qu'il

vous sera possible ».

(M. Champagnat)

 

Il y a quelques décades avait cours dans la Congrégation des Frères Maristes, un manuel, très apprécié de son temps, dont le titre était à la fois un programme et une ambition: «Maria enseignée a la jeunesse ». Les frères s'étaient fait un point d'honneur de mettre devant les yeux et dans le cœur de leurs élèves l'image évangélique de la Mère de Jésus. Ils leur parlaient avec enthousiasme non seulement de « Marie de l'histoire » mais aussi de « Marie proche de nous », « Marie de tous les temps », « Marie présente dans le mystère du Christ », la même hier, aujourd'hui et pour les siècles ». Tous les samedis, pendant le mois de mai, et aux principales fêtes mariales, la jeunesse mariste était invitée à regarder longuement son Modèle, sa Mère, sa Ressource Ordinaire ». Cette catéchèse mariale ne fut pas toujours exempte de particularismes et de déficiences. Dans les années 50, elle devint l'objet de critiques et de réticences… le thème de recherches et le champ de nouvelles expériences pastorales. On lui reprochait alors son caractère réitératif, sa pauvreté théologique et scripturaire, sa tendance au sentimentalisme, etc. Le Chapitre de 1958 s'occupa quelque peu de cette catéchèse. A l'époque du renouvellement des méthodes catéchétiques, des essais de nouveaux manuels, suivant la méthode dynamique et progressive de la catéchèse d'alors, furent tentés.

Vingt ans sont passés et, en beaucoup d'endroits, la catéchèse « des samedis » ayant presque disparu, on continue à s'interroger: « Comment présenter Marie aux jeunes d'aujourd'hui? ».

 

I – Pistes et orientations récentes

 

1 – Un sondage révélateur.

 

En 1963, dans une dissertation présentée à l'Institut Jésus Magister de Rome, il nous a été possible de réunir et d'analyser un grand nombre de réponses d'élèves maristes à un questionnaire destiné à dresser un bilan de l'attitude (ou des attitudes) des jeunes, face à la Vierge Marie22.

Notre hypothèse de travail était assez simple: les élèves maristes sont tout particulièrement sensibles à la dévotion mariale, grâce au catéchisme du samedi qui leur est dispensé des années durant. Nous avions cependant la conviction qu'au moyen du sondage, il nous serait plus aisé de découvrir les lignes du renouveau nécessaire de notre présentation de la Vierge Marie. « Le message marial que nous nous efforçons de transmettre à la jeunesse est-il vraiment valable? » Telle fut la question de base de l'étude entreprise.

Le résultat, malgré ses insuffisances, nous permit de tracer une esquisse assez fidèle de la grandeur et de la pauvreté de la vie chrétienne de nos élèves d'alors en ce qui concerne la dévotion mariale.

Néanmoins, c'est cette étude qui servit partiellement de base aux orientations données par le Chapitre Général de 1978 en cette matière.

 

2 – Le précieux document marial.

 

C'est le 21 novembre prochain qu'aura lieu le 10e anniversaire de la promulgation solennelle du document capitulaire: «La Ste-Vierge dans la vie du Frère Mariste ».

La véritable raison du peu de résultat dans nos Provinces du texte, si bien accueilli par le Chapitre et discrètement loué en dehors, nous échappe. Peut-être faut-il incriminer la « période glacière » de la mariologie qui sévissait alors. En tous cas le Frère Supérieur Général, lors de la Conférence des Frères Provinciaux en 1971, devait souligner la nécessité de transmettre à la jeunesse éduquée dans nos écoles une spiritualité mariste par des méthodes nouvelles. Car, ajoutait-il: « Il faut que la très Ste Vierge redevienne, comme autrefois, le cœur, l'âme, et la première Supérieure de l'Institut23. La monumentale circulaire du 8 septembre 1978: « Un nouvel espace pour Marie24 » en se rapportant au Document mariai de 1968, constatait que le 16e Chapitre Général avait avec bonheur traité de Marie mais sans réussir cependant à faire passer son message mariai dans la vie des Frères.

Que nous disait ce Document Mariai? C'était naturellement une «réponse provisoire », une étape dans notre réflexion. Nous pensons, cependant, que ses principales intuitions restent valables et très suggestives. Dans ce Document on lit, par exemple que le but de la catéchèse mariale est « de proposer aux jeunes une authentique dévotion à Notre Dame, et de développer en eux le sens mariai, les initiant à la connaissance du Mystère de Marie selon la foi et la doctrine de l'Eglise25. Toute catéchèse est mariale d'une certaine façon, car on ne peut formuler le Mystère du Christ sans référence au rôle de Marie dans l'Incarnation. Mais le propre de ce qu'on appelle «catéchèse mariale » est d'annoncer, d'ordonner, d'approfondir cette fonction de Marie et sa signification dans l'Histoire du Salut. Pour ce faire, il faudra qu'elle soit intégrée dans l'ensemble du Mystère Chrétien, adaptée à l'évolution psychologique et religieuse de l'élève, à la culture et à la mentalité du milieu et aux événements; enfin qu'elle soit vécue c'est-à-dire qu'elle porte à la prière, au témoignage, à l'engagement apostolique.

N'empêche que la catéchèse comme enseignement est un moment privilégié de tout le processus de l'éducation religieuse. Et celle-ci, dans les écoles maristes, porte le cachet de la présence discrète de Marie, l'éducatrice par excellence. La pédagogie mariste vise à donner au jeune chrétien «une mentalité et un cœur en tout semblables à ceux de Marie26». En d'autres termes, notre projet éducatif, d'une part, s'inspire de la manière dont Marie vit l'Evangile et, d'autre part, se développe sous l'influence de son intercession maternelle.

Le Chapitre Général de la rénovation ne s'y est pas trompé: on ne peut faire de la catéchèse mariale profonde et rénovée, sans catéchistes et éducateurs convertis à la nouvelle image conciliaire de Marie et tout imprégnés de l'esprit de Marie, fait d'humilité, de simplicité, de modestie et de don total à Jésus comme le Bx. Champagnat voulait que soient ses Petits Frères de tous les temps.

3 – L'exhortation apostolique a Marialis cultus »

Même après Vatican II, beaucoup s'abstenaient de parler de Marie, non parce qu'ils en doutaient ou qu'ils l'aimaient moins, mais par crainte d'en mal parler. La question qui se pose est moins celle-ci: «Doit-on parler de Marie aujourd'hui27 »?, que plutôt celle-là: « Comment bien parler de Marie en notre temps de changements culturels rapides et profonds28 »?

Paul VI, dont le magistère se caractérise aussi par une catéchèse mariale au Peuple de Dieu29 persévérante, affectueuse et adaptée, est venu encourager et stimuler catéchistes et prédicateurs par l'exhortation apostolique « Marialis Cultus ». Ce texte, paru en 1974, continue à susciter un grand intérêt et s'est révélé une mine presque inépuisable pour la pastorale mariale de notre temps. Il en est même qui la considèrent comme un «chef-d’œuvre » du genre. Riche d'intuitions mariales, opportune autant que pratique, coulée dans un langage simple et neuf, l'exhortation pontificale dépasse de beaucoup le champ strictement liturgique: elle présente à la fois la doctrine et le modèle pour une excellente catéchèse mariale, elle nous apprend à parler de Marie en même temps qu'à vivre avec Marie.

Les principes signalés par le Pape pour la rénovation du culte et de la dévotion à Notre Dame, à savoir la référence trinitaire, christologique, pneumatologique, ecclésiale, ainsi que le caractère biblique et l'orientation anthropologique (cette dernière constitue une originalité du document et une nouveauté) sont également valables pour la catéchèse mariale. On remarque ici que la « lex orandi » établit la « lex loquendi ». Le culte est une école de catéchèse. Dogme, culte et catéchèse se fondent dans un même horizon de compréhension et d'expression. Nous parlerons de Marie comme on en parle dans la Liturgie et, de préférence, dans le langage de l'Ecriture Sainte, car c'est de la Parole de Dieu vécue par l'Eglise que découle notre connaissance de celle qui est la Mère du Seigneur et le prototype de l'Eglise.

Paul VI, selon les directives du Concile, insiste sur le culte et la dévotion marials, purifiés de leurs déviations, renouvelés et harmonisés avec la liturgie, ouverts à l'œcuménisme et insérés dans la vie contemporaine30.

 

4 – Nouvelles tendances dans l'Eglise:

 

Car la catéchèse mariale est le début nécessaire pour une efficace rénovation comme pour l'évangélisation de la piété populaire. Après beaucoup de méfiance, et de critiques, le thème de la « piété populaire » est revenu au premier plan de l'intérêt des théologiens et des pasteurs. Dans « Evangelii Nuntiandi31 » Paul VI appelle l'attention des évangélisateurs sur cette réalité « Si riche et si vulnérable ».

Au moment où nous rédigeons ces lignes, se prépare la Conférence de l'Episcopat Latino-américain, qui doit se réunir à Puebla (Mexique) en octobre prochain. Le thème principal en est « l'évangélisation de l'Amérique latine aujourd'hui et demain ». Dans le document soumis aux évêques pour être étudié et vérifié on parle évidemment de la dévotion mariale comme d'une constante de notre peuple. Marie est associée aux souffrances et aux joies de ce peuple profondément religieux et évangélisé sous le signe du Christ Crucifié et de la dévotion à Marie32.

Tout en reconnaissant l'excellence du texte sur Marie dans ce document, les théologiens de la CLAR l'ont critiqué d'une manière qui révèle une nouvelle tendance. A ce texte il manque, d'après eux, l'important aspect de Marialis Cultus qui présente Marie comme la Femme libératrice, la Femme forte qui élève la voix pour réclamer justice envers ceux qui sont « piétines » et châtiment pour les riches orgueilleux» (sic)33. C'est la nouvelle focalisation de la théologie, et, par voie de conséquence, de la mariologie, dans la perspective de la «libération», grâce à laquelle l'image historique de Jésus et de Marie acquiert un intérêt nouveau. Le Magnificat éclaire, pour ainsi dire, une nouvelle image de la Mère du Sauveur. Nous pouvons nous demander même à quel point cette «approche» n'est que le fruit de projections idéologiques… En tout cas, elle ne laisse pas d'être légitime et prometteuse, cette relecture de l'Ecriture (et de la figure de Notre Dame) à partir de la situation de notre temps et de notre continent, comme l'affirme Leonardo Boeff34: «Dans l'Ecriture il y a une virtualité de significations qui s'expliquent en contact avec les nouvelles situations socio-historiques » et « notre situation actuelle jugée comme esclavage et oppression sociale et politique se présente comme un lieu herméneutique privilégié pour que nous lisions le Magnificat et que nous nous faisions les auditeurs attentifs de son message. L'hymne de Marie a surgi dans un cadre de relations correspondantes aux nôtres. C'est pour cela qu'il nous donne un son si proche et si actuel ».

Un autre théologien brésilien suggère que les CEB (communautés ecclésiales de base) deviennent des chantiers pour l'édification et la restructuration de la dévotion mariale populaire dans une ligne libératrice35. La redécouverte de la présence significative de Marie dans la vie et dans l'espérance du peuple fidèle doit nous porter à replacer les aspects mariologiques à l'intérieur du contexte de pauvreté et libération, qui caractérise la situation de ce peuple. Autre point de compréhension du mystère de Marie, la femme pauvre de Nazareth qui est devenue la mère libératrice du nouveau peuple de Dieu. Théologie mariale populaire, catéchèse mariale à partir de la « mariologie des simples », revalorisation et évangélisation (ce qui suppose pas mal de purifications) de la piété populaire, quelle moisson prometteuse dans un avenir tout proche!

 

5 – Au synode de la catéchèse.

 

Marie, « Etoile de l'Evangélisation » selon l'expression de Paul VI36, a été celle « qui a rendu lisible le Verbe de Dieu », comme on peut le lire dans une gracieuse inscription de l'Abbaye grecque de Grottaferrata, et celle « qui a présidé à la prière au début de l'Evangélisation sous l'action de l'Esprit-Saint ». La présence de Marie est toujours évangélisatrice: « Elle nous annonce et nous fait vivre le mystère du Christ Mort et Ressuscité ».

C'est aussi ce qui a été affirmé au Synode des Evêques réunis à Rome l'année dernière (1977), pour étudier le problème de la «Catéchèse de notre temps, en particulier des enfants et des jeunes ». Elle n'est pas seulement une dimension indispensable de la catéchèse comme modèle et mère dans la pastorale catéchétique de l'Eglise et dans l'engagement catéchétique de chacun. Dans les mystères de son existence, Marie est un « abrégé de catéchèse » et un « catéchisme vivant », qui convie les fidèles et surtout les jeunes à l'engagement de la foi et de la perfection chrétienne37.

Nous espérons que les résultats pratiques de ce Synode se feront sentir aussi dans l'engagement empressé de la part de tous les responsables de la catéchèse mariale rajeunie. La connaissance et le culte de Marie se sont développés dans l'Eglise à la lumière du Mystère du Christ et dans la mesure où l'on approfondissait ce mystère. Aujourd'hui, alors que nous vivons une époque « dominée et absorbée par la question de Jésus-Christ38 l'Es-prit-Saint doit être en train de préparer un nouveau printemps dans la révélation de Marie, la première chrétienne, modèle original, et mère des fidèles. Elle-même s'apprêtera à ouvrir « un nouvel espace pour Marie » dans le cœur des hommes.

N'en trouverons-nous pas la preuve dans les très riches «pistes et orientations » que nous avons reçues pour nous acquitter de l'ultime désir de Marcellin Champagnat: «Faites-la aimer partout, autant qu'il vous sera possible »?! Et, quel est le Frère qui n'a pas encore entendu les jeunes lui demander d'une manière explicite ou voilée: « Parle-nous de Marie »?

C'est l'Esprit qui provoque dans nos cœurs cette répercussion de la piété filiale du même Jésus-Christ envers l'humble Vierge-Marie.

 

II – Quelques points centraux

 

Parmi l'apport légué par la Tradition sous forme d'affirmation sur la personne de Notre-Dame, certains aspects n'ont plus, semble-t-il, la même valeur pour notre catéchèse d'aujourd'hui.

Que faut-il dire, que faut-il enseigner sur Marie, Mère de Jésus? Comment la présenter aux jeunes de manière que son message soit réellement pour eux, une « bonne nouvelle » du Seigneur Jésus? Dans quel langage devons-nous leur parler des mystères de notre foi pour que ceux-ci deviennent vie pour eux?

 

6 – Profession de foi mariale.

 

Nous continuons à croire de toutes les fibres de notre âme que Marie, l'humble fille de Nazareth était immaculée dans sa conception, qu'elle croissait dans la plénitude de grâce et se trouve à présent, depuis sa mort et son assomption, glorifiée dans son corps et son âme au ciel. Nous professons qu'elle est la Mère toujours Vierge de Notre Seigneur Jésus-Christ, Fils de Dieu Sauveur et son associée, à un titre singulier, dans l'œuvre de la rédemption. En vertu de sa prédestination à la maternité divine et de son association au Christ, la Servante du Seigneur, image originale et parfaite de l'Eglise est aussi la Mère de tous les membres du Corps Mystique dont nous sommes. En notre vie spirituelle, tant personnelle que communautaire, nous éprouvons, dans la foi, les effets de son intervention constante en notre faveur. Nous croyons qu'elle est intimement unie au Saint-Esprit sanctificateur et que, de ce fait, elle est toujours présente et agissante dans le mystère chrétien, participant à la royauté universelle de son Fils pour conduire les hommes vers le Père. Ancrés dans cette foi qui nous vient des siècles passés, nous nous sentons heureux de faire crédit aux paroles prophétiques de la Vierge elle-même: « Toutes les générations me proclameront bienheureuse ». (Lc. 1, 48). Pleins d'amour et de reconnaissance, nous nous reconnaissons et nous nous déclarons fils spirituels de la Mère de Dieu.

Notre profession de foi mariale, pour autant qu'elle se purifie et se réduise à l'essentiel du Mystère de Marie, sera toujours un amen cordial et total à la Parole de Dieu. Cette Parole nous a révélé progressivement tout au long de siècles de méditation et d'expérience de l'Eglise, la véritable image de cette créature choisie et formée pour être le « modèle de la réponse de l'humanité rachetée au dessein salvifique ». Comme nous le rappelle Marialis Cultus «le culte de la Vierge a sa raison d'être ultime dans l'insondable et libre volonté de Dieu qui, Amour éternel et divin (cf. I Jn. 4, 7-8. 16), accomplit toute chose d'après un plan d'amour: il l'a aimée et a fait pour elle de grandes choses (cf. Le. 1, 49); il l'a aimée pour lui, il l'a aimée pour nous; il se l'est donnée à lui-même, il nous l'a donnée ». (M.C. 56).

Sans seulement vouloir dogmatiser en cette matière, nous nous permettons d'avancer quelques points que l'expérience et la réflexion nous ont montré comme réellement intéressants et d'une extraordinaire actualité pour la catéchèse d'aujourd'hui. Ce sont comme des noyaux parce qu'à partir d'eux se développe d'une manière accessible et convaincante l'extrême richesse du Mystère de Marie.

 

7 – Marie a été Femme:

 

L'orientation anthropologique suggérée pour le culte mariai (voir M.C. 34) nous porte à mettre le même accent sur la catéchèse qui est l'art de la communication du message chrétien, « la méthodologie de Dieu », qui a voulu choisir le « chemin de Marie » (femme cf. Gai. 4, 4) pour se donner et se révéler au monde39.

Mystère de Marie et Mystère de la Femme dans le plan de Dieu, théologie mariale et théologie de l'éternel féminin, considérer Marie à partir de son être de femme et comprendre la vocation de la femme à la lumière de Marie, Mère de Dieu fait homme et Figure de l'Eglise… que de pistes prometteuses pour l'avenir de la mariologie, pour la compréhension et la praxis chrétiennes de la véritable « libération de la femme ». Nous sommes encore au début de ce programme.

La catéchèse, cependant, peut et doit déjà exploiter de telles intuitions. Quand, d'une part, nous pensons que chaque fille, à la recherche de sa propre identité, porte dans l'intime de son être l'image de la Femme parfaite, qui, en dernière analyse est Marie, quand, d'autre part, nous savons que les garçons désireux également de réaliser leur personnalité dans un dialogue harmonieux avec la femme, verront en Marie, Vierge et Mère, la synthèse vivante et élaborée par l'Esprit-Saint des aspects réels de la femme, nous percevons avec plus d'acuité l'opportunité d'insister sur « l'humanisme mariai ». Les mettre en contact direct avec l'Evangile qui nous fait connaître « Marie de Nazareth », ce sera le moyen de les conduire à réfléchir sur le rôle de la femme dans l'Histoire du Salut.

En admirant les valeurs humaines en Marie, femme libre de tout égoïsme, élevée pour aimer, avec un cœur de Mère, Dieu et l'humanité, reconnue comme interlocutrice valable de l'Incarnation, jeune fille qui sut opter pour le Christ et se montrer toujours ouverte, fraternelle, engagée dans le réel, forte et sereine malgré les épreuves de la vie, simple et humble dans l'accomplissement parfait de sa très haute mission, la jeunesse chrétienne sera prise d'enthousiasme pour la personne de Marie et sa dévotion pour elle la guidera vers une excellente formation humaine.

D'ailleurs, il convient d'attirer leur attention sur ce qui en Marie, constitue un modèle et un exemple valable pour les hommes et les femmes de toutes les conditions: « dans sa vie personnelle, elle adhère en toute responsabilité à la volonté de Dieu, accueille, sa Parole et la met en pratique ». Le discernement vocationnel des jeunes et leur formation comme «hommes nouveaux » trouveront en Marie, femme nouvelle et maîtresse de l'authenticité de vie, le chemin le plus sûr du succès. La dévotion mariale, objectif de la catéchèse mariale, sera envisagée et cultivée dans le sens de l'imitation40.

 

8 – Transparente à l'Esprit Saint.

 

Toute présentation de Marie doit faire voir et admirer l'action du Saint-Esprit dans une créature faible mais docile.

En Marie, la « Pleine de Grâce » et par là-même, la « Toute Belle » les jeunes devront contempler la manifestation de la plus grande intervention de l'Esprit, au jour de l'Annonciation, parachevant toutes ses précédentes venues dans l'Ancien Testament. D'où l'importance pour la catéchèse mariale d'être profondément biblique. Marie est le point d'arrivée de l'Israël spirituel, c'est la Fille de Sion eschatologique entrevue et saluée par les prophètes. Parce qu'elle a cru, l'Esprit peut accomplir en son sein virginal les promesses de l'Alliance. D'autre part, en la Vierge de l'Incarnation l'Esprit inaugure les temps messianiques, la « nouvelle création » en Jésus-Christ. Ce qui se passe en Marie, arrivera ensuite dans l'Eglise de la Pentecôte et dans l'Eglise de tous les temps. Pour acquérir cette vision du mystère de Marie les catéchistes trouveraient un grand secours dans la mariologie biblique. C'est d'ailleurs dans ce sens que se font aujourd'hui les recherches et que l'enseignement en est donné41.

Vus à la lumière de la «nouvelle création dans l'Esprit-Saint », les dogmes de l'immaculée conception comme celui de l'assomption corporelle changent de physionomie. Les privilèges de Marie prennent alors le sens de charismes pour toute l'Eglise qui déjà pointe en Marie dans sa réalisation finale. Rien en Marie ne doit être considéré en dehors de cette perspective ecclésiale. Qu'il serait beau si notre catéchèse réussissait à transmettre aux jeunes occidentaux quelque chose de la compréhension pneumatologique dont jouissent nos frères orientaux avec la theotokos: pour eux, l'Esprit repose sur Marie et fait d'elle, l'incarnation humaine de la grâce reçue.

En tous cas, nous ne pouvons oublier, dans la catéchèse mariale, les sages recommandations de Paul VI: « Nous devons… croire que l'action de la Mère de l'Eglise en faveur des rachetés, ne remplace pas, ne rivalise pas avec l'action omniprésente et universelle de l'Esprit-Saint mais l'implore et la prépare, non seulement par la prière d'intercession en harmonie avec les desseins de Dieu contemplés dans la vision béatifique, mais aussi par l'influence directe de l'exemple, et surtout par la très grande importance de la plus grande docilité aux inspirations du divin Esprit42 ». La dévotion mariale sera une école et un exercice de docilité au Saint-Esprit.

 

9 – Mère Libératrice.

 

Comme nous le disions plus haut, notre époque est marquée idéologiquement par la conscience de l'esclavage et l'oppression » et par le désir angoissé de libération totale dans le Christ. Les jeunes sont très sensibles à ce « signe des temps ». Sur eux, surtout, l'image de Marie qui est en train de se dessiner comme prophétesse, femme courageuse et forte, engagée dans la libération messianique des injustices historico-sociales des pauvres, va produire un impact puissant.

Comment faire découvrir aux jeunes la Vierge du Magnificat, la pauvre de Yahweh, l'instrument à la fois docile pour la réalisation concrète de l'action salvatrice de Dieu et disponible aux hommes? Comment leur montrer dans le chant de Marie, l'hymne révolutionnaire de l'amour rédempteur qui exclut toute violence, toute haine, toute injustice?

Il sera important de faire ressortir que, tout en dénonçant les injustices sociales de son temps et de tous les temps, la Vierge de Nazareth se place dans la perspective de Dieu, pour qui tous ont besoin d'être sauvés. Ses paroles nous rappellent, certes, les exigences chrétiennes d'un ordre politique et nous poussent à réaliser la justice dans la charité; mais, elles ne sont d'aucune façon un manifeste idéologique de gauche, ni moins encore de droite.

Comprendre et aimer Marie, comme Mère libératrice, c'est-à-dire, comme Mère du Libérateur et des libérés (= de ceux qui ont besoin de libération) c'est se protéger du danger «intimiste et aliénant » d'un certain type de dévotion mariale, d'ailleurs très critiqué aujourd'hui et facteur d'une certaine désaffection des jeunes pour le culte à Marie. Nous devons orienter la piété mariale par l'excellent principe de Marialis Cultus quand il affirme: « L'amour envers Marie se traduira en amour pour l'Eglise et vice-versa » (M.C. 27) Dans l'action même de l'Eglise en faveur des petits et des marginalisés, dans la défense et la promotion des droits de l'homme si souvent lésés par les puissants de ce monde, dans son application pour la paix et la concorde sociale, dans son effort incessant pour que tous les hommes aient part au salut mérité par la mort du Christ, les jeunes devront découvrir le « prolongement de l'amour laborieux de Marie », à Nazareth, dans la Maison d'Elisabeth, à Cana et surtout au Calvaire. Mais ils devront, eux aussi, s'engager dans cette action ecclésiale, s'ils veulent vraiment démontrer d'une manière efficace leur dévotion à Notre-Dame.

La pierre de touche de la vraie catéchèse mariale consistera en dernière analyse à porter à l'engagement à la manière de Marie et en union avec elle. Pie XII disait aux enfants de Marie de son temps que « leur consécration totale à la Mère de Dieu faisait d'eux les instruments et pour ainsi dire les mains visibles de Marie en notre monde. » Qu'on nous permette ici de faire une observation parallèle. Le rôle pédagogique de ces anciennes Associations des Enfants de Marie n'a pas encore été remplacé par aucune autre forme moderne de formation apostolique et spirituelle. Le moment ne serait-il pas venu de recréer dans nos collèges des « écoles pratiques » de dévotion mariale, ces modèles de vie chrétienne engagée, sous le signe de Marie, avec l'Eglise dans le monde et pour le monde?

 

10 – Vierge du Seigneur.

 

Depuis toujours la « catéchèse mariale » s'est arrêtée avec un intérêt particulier, malgré des difficultés non négligeables, sur le mystère de la virginité perpétuelle de Marie en essayant de l'expliquer ou, tout au moins d'y comprendre quelque chose. On a peut-être trop mis l'accent sur l'aspect moralisant. Comme la chasteté dominait dans la compréhension de la virginité chrétienne, on courait le danger de présenter Marie Vierge de manière sinon fausse, du moins incomplète. Sa dévotion était tenue comme l'antidote de l'impureté et comme un gage de préservation pour ceux qui recouraient à Elle.

Aujourd'hui nous nous trouvons en meilleure position pour en évaluer la dimension théologique, mystérique, ce qui est fondamental dans la virginité de la Mère de Jésus. D'autre part, nous redimensionnons mieux le problème de la chasteté chez les jeunes. Sans méconnaître sa problématique affectivo-sexuelle, rendue plus difficile dans le contexte d'un monde super-érotisé et dans lequel s'amenuisent le sens de Dieu et le sens du péché, nous savons, cependant, que le problème principal des jeunes n'est pas le sexe. Leur équilibre en ce domaine serait rendu plus facile dans la mesure où ils acquerraient, en théorie et en pratique, une solide formation axiologique chrétienne. Il serait regrettable si nous ignorions l'efficacité de la vraie dévotion mariale pour la maturation des jeunes. Mais il serait pareillement regrettable de réduire cette dévotion au rôle unique et exclusif de notre alliée dans la lutte pour la conservation de la vertu de chasteté.

Ceci dit, passons maintenant au principal. Nous ne pouvons taire, dans la catéchèse, la foi de l'Eglise en la conception virginale de Jésus-Christ et, par conséquent, en la virginité perpétuelle de Marie. Mais il convient d'enseigner ces vérités, non pas tant dans une perspective matérialisante et biologique, mais plutôt dans leur signification profonde et théologique. Le dogme de notre foi a toujours considéré l'aspect biologique de ce mystère de Marie (et de Jésus ». Marie était totalement mère et totalement Vierge de corps et d'esprit. Mais de toute évidence, il est important de ne pas réduire le « signal lumineux et mystérieux » de sa virginité, dans sa maternité, à l'aspect organique. Notre fidélité à la Parole de Dieu nous oblige à rechercher son sens profond. Dieu a voulu une Mère toujours Vierge pour son Fils incarné, comme signe permanent et éloquent de la divinité de Jésus, de la gratuité de son salut et de la compréhension nouvelle de la vie qu'il est venu nous apporter, c'est-à-dire, le célibat pour le Royaume. Le signe ou le langage de l'intégrale virginité de Marie contient beaucoup de richesses que l'on doit mettre en évidence dans la catéchèse et dans la compréhension de la foi des jeunes.

Une de ces richesses, rappelées par Marialis Cultus (No. 37), c'est sans doute son caractère d'« Option courageuse » de la part de Notre-Dame. Que Marie ait fait ou non un vœu ou plutôt une promesse de virginité avant l'Annonciation, l'exégèse actuelle ne peut nous en informer avec certitude. Peu importe. Si saint Luc rapporte dans son Evangile l'interrogation de Marie: «Comment cela se fera-t-il puisque je ne connais point d'homme » puisque je suis vierge et prétends le rester? c'est que l'Eglise de son temps avait déjà la certitude que la Mère de Jésus est toujours restée vierge, pour le Royaume des cieux. Quelques siècles plus tard le « sensus fidelium » allait se manifester sous la plume de saint Augustin affirmant que le Seigneur n'a pas voulu pour sa Mère, une virginité imposée, mais il a choisi, pour la maternité divine, précisément quelqu'un qui avait déjà reçu de l'Esprit le charisme d'une virginité volontaire.

Faire apprécier aux jeunes, le courage d'une jeune fille de ce temps-là, plongée dans la mentalité et la spiritualité de l'Ancien Testament qui choisit librement de rester vierge même dans le mariage, c'est leur montrer concrètement la nouveauté du Royaume que le Christ allait venir annoncer et réaliser. La virginité de Marie nous situe déjà dans le climat de Pâques et constitue donc un signe eschatologique.

Mais il faut que nous parlions aussi et en même temps du « chaste et fort amour conjugal » de Marie à Joseph (M. C. N. 57), de sa relation normale et imprégnée de la « tendresse de Dieu » pour ce compagnon et ce confident que Dieu lui avait donné. La Vierge Marie fut vraiment l'épouse de Joseph (cf. Mt. 1, 24; Lc. 2, 5), elle n'a pas vécu comme une religieuse dans son couvent. Quoique nous ne puissions pas nous faire une idée de la psychologie d'une femme immaculée, ni de son influence marquante sur l'âme de Joseph, le juste, nous pouvons deviner que les deux durent renoncer ensemble à de nombreux plans à réaliser à deux, pour laisser une liberté totale à Dieu afin de mener à bien son dessein salvifique à travers la maternité virginale de Marie.

Un dernier aspect, déjà sous-jacent dans ceux dont nous venons de parler, qu'il faut faire découvrir aux jeunes, c'est que la virginité de Marie manifeste son ouverture totale à Dieu. « En elle pas de secteurs réservés. Tout était à la disposition de Dieu, dans les circonstances concrètes que celui-ci choisirait pour faire irruption dans son humble maison de Nazareth ». (L. Artigas).

Cette vision profonde et sereine de la virginité de Notre-Dame apportera une contribution importante à la formation de la jeunesse à l'amour comme don de soi et, par voie de conséquence, au renoncement en vue de la plénitude de Dieu en notre cœur. Elle suppose un contexte de foi, une certaine affinité pour le surnaturel, c'est-à-dire une certaine expérience de la grâce, de l'amour gratuit, de la présence libératrice de l'Esprit en nous. Cependant, jusqu'à plus ample informé, ce n'est pas par le mystère de la virginité mariale que l'on doit commencer une catéchèse ou une présentation de Marie aux jeunes. Aucun mystère comme celui-ci, n'est aussi étroitement lié avec celui de la Résurrection du Christ et celui de l'Eucharistie.

 

11 – Notre sœur et notre compagne dans la foi.

 

Voici un point fondamental de la catéchèse mariale de notre temps. Le Concile Vatican II a redécouvert et remis en valeur le thème du «pèlerinage de foi » de la Vierge Marie, c'est-à-dire l'image primitive de Notre-Dame. «Tu es bienheureuse, toi qui as cru dans la Parole du Seigneur ». (Le. 1, 46).

Ces paroles nous apprennent qu'avant même d'être notre Mère spirituelle, Marie est notre sœur aînée dans le cheminement de la foi. Elle est, en effet, la première dans le temps à donner son adhésion totale au Christ, la première aussi par l'intensité qu'elle y mettait. Première chrétienne, sa foi surpasse celle d'Abraham et celle de tous les croyants. Dans la circulaire mariale de Frère Basilio Rueda, Supérieur Général, les catéchistes peuvent trouver une excellente matière pour présenter aux jeunes le développement de la foi de Marie tout au long de sa vie. Elle écoute, elle médite en son cœur les paroles et les événements, sans cesse elle cherche à découvrir Dieu dans la personne de son Fils. Ce Fils, qu'elle avait conçu dans son cœur, par la foi, avant même de le concevoir en son sein virginal, n'était pas toujours transparent pour elle. L'Evangile nous révèle assez clairement le cheminement spirituel de Marie. En la voyant ainsi sans vaciller, mais en même temps sans comprendre immédiatement les événements, nos jeunes vont se sentir familiers avec elle, modèle vivant et original de l'Eglise itinérante. Ils comprendront alors qu'ils ont en commun avec Marie de faire l'expérience de se laisser guider seulement par la Parole du Dieu caché.

Elle est donc à même de comprendre nos difficultés, car elle aussi connut l'épreuve. Elle accepte en silence, elle reste fidèle jusqu'au calvaire, elle assume son rôle avec courage selon sa nature et son être, à la place assignée par Dieu. Tout cela lui vaut de réussir pleinement sa vie et de jouir d'une gloire immense dans l'espace et le temps.

Faut-il s'étonner alors qu'une catéchèse basée sur la vie de Marie avançant dans la foi, produise en peu de temps ce type de spiritualité que les Focolarini ont su mettre en valeur: s'identifier à Marie, vivre la Parole de l'Evangile comme elle l'a vécue. C'est une manière nouvelle de concevoir et de suivre la doctrine mariale. C'est quelque chose de plus imprégnant que le simple sentiment de confiance filiale en sa protection. C'est quelque chose de plus viril qu'une tendre camaraderie ou la mièvre amitié spirituelle avec elle. Car, dans une telle perspective, le jeune, aux prises avec les difficultés concrètes de la vie, trouve en Marie une conseillère et un réconfort.

 

12 – Celle qui intercède pour nous.

 

Le dernier point que nous allons considérer dans cette tentative d'une « mariologie » pour les jeunes, c'est la relation actuelle de Marie avec nous dans la communion des saints. Elle est vivante en Dieu, intercédant pour nous, par une prière maternelle incessante.

Marie de Nazareth qui, dans son amour pour Dieu, conçut une grande affection pour son peuple, en ce moment décisif de sa vie et de l'histoire des hommes, acquiesçait en notre nom à l'acceptation de Jésus Sauveur. Il n'est donc pas possible que, par son assomption glorieuse, elle se soit séparée de nous. Depuis toujours et pour toujours elle est la présence éclairée et suppliante de l'humanité dans l'intimité de Dieu.

La prière de Marie ne cesse d'être inspirée par l'espérance et l'amour. Durant la vie de Jésus, sa prière était tour à tour de contemplation, méditant les mystères qu'elle devait vivre, et d'intercession comme à la Visitation, à Cana et à la Pentecôte. Elle accomplissait déjà sa médiation maternelle en faveur des hommes que son Fils est venu sauver.

Actuellement, au ciel, elle communie totalement à la prière de notre Médiateur le Christ Jésus qui ne cesse d'intercéder pour nous. Elle est l'Amen de la prière de Jésus, lui demandant, sans nul doute, de nous obtenir le don de l'Esprit-Saint. C'est ainsi que Marie continue d'exercer sa maternité spirituelle, c'est ainsi qu'elle pénètre jusqu'au plus intime de nos existences, c'est ainsi finalement qu'elle est véritablement médiatrice de toutes les grâces.

La catéchèse mariale se doit de souligner l'intercession céleste et universelle de Marie. C'est la raison de la mystérieuse proximité qu'elle conserve avec nous, tous et chacun. C'est le fondement de notre recours habituel à sa protection.

Qu'on nous permette ici, pour terminer, quelques réflexions sur la valeur de la prière à Marie et avec Marie, comme moyen et comme résultat de la catéchèse mariale. Le rosaire, par exemple, tout imprégné de l'Evangile, nous invitant à contempler les mystères de notre salut en communion avec Marie, constitue un excellent modèle de prière mariale que la catéchèse pourrait promouvoir. Mais sa valeur, hélas!, échappe à la majorité des jeunes. Us apprécient davantage les célébrations de la Parole auxquelles on peut donner un contenu fortement mariai. L'important cependant, c'est de stimuler la pratique qui consiste à ménager des temps forts de rencontres priantes avec Marie et de faire en sorte que la prière mariale suscite des attitudes cohérentes avec la vénération que l'on professe pour elle. Le fruit de toute prière mariale authentique devrait être une incitation à mettre en pratique les paroles mêmes de Marie: « Faites tout ce qu'il vous dira ».

 

Conclusion.

 

Peut-être aurons-nous un jour un manuel de base pour une catéchèse mariale. Mais ce qu'il nous faut, c'est moins un manuel d'enseignement, qu'un guide pour la présentation du mystère de Marie, de sa personnalité humaine et spirituelle, de sa place dans l'œuvre du salut.

Mais, en attendant, nous ne pouvons pas taire la réalité de Marie. Nous, Frères Maristes, nous devons parler davantage d'elle pour la faire connaître aux jeunes et aux adultes et pour les engager à marcher sur ses traces. Il ne s'agit certes pas d'organiser des marathons ou des croisades, ni de faire de Marie un monument de toutes les valeurs humaines en vogue aujourd'hui, ni non plus d'en faire une sorte de cliché pour illustrer tous les sujets d'actualité. Il s'agit d'une relecture de l'Evangile dans une perspective mariale, cet Evangile écrit par les premières communautés chrétiennes qui trouvaient dans les évangélistes les interprètes de ce qu'elles découvraient elles-mêmes sur la Mère de Jésus à la lumière de la résurrection du Christ, cet Evangile lu à travers les âges dans la vie mariale de l'Eglise, dans les exemples des saints, dans la piété des simples fidèles.

Cette relecture de l'Evangile avec les jeunes d'aujourd'hui va nous faire découvrir l'image biblique de cette femme, notre sœur dans la foi et notre mère selon l'Esprit, modèle à la fois sublime et accessible de vie chrétienne. Personne comme elle n'est capable de révéler à la jeunesse la vraie figure de Jésus libérateur et la figure de l'authentique disciple du Christ. Personne comme la Nouvelle Eve, dans le sillage du Nouvel Adam, ne formera jamais les hommes nouveaux dociles à l'Esprit, chéris du Père et frères universels dans le Christ.

Frère Aleixo-Maria Autran, fms.

Belo Horizonte, 06.06.1978

1 A. M. Autran: « L'Attitude de nos jeunes en face de la Vierge Marie ». – Rome -1963 – dissertaçâo mimeografada.

2 I. Basilio Rueda: « Meditaçâo em voz alta de um Superior Geral » e « Conferencia de Encerramento da Conferencia Geral » – in Circulaires – Vol. XXV – N° 3 – Roma – 1971.

3 I. Basilio Rueda: « Um novo espaço para Maria » – Circulaires Vol. XXVI -no 4 – 1976.

4 XVI Capítulo Geral: « A Santissima Virgem na Vida do Irmâo Marista » – Cap. V – n° 2: Catequese Marial.

5 Ver entre outros: W. Beinert: « Parlare di Maria Oggi} » (Heute von Maria reden? ») – Ed. Paulinas – Roma – 1975. a. Rouet: « MARIE » – Ed. du Centurion – 1975. Sociedad Mariológica Espanhola: « Enciclopedia Mariana Posconciliar » Ed. Conclusa -Madrid – 1975.

6 Ver: J. Laurenceau: «Parlez-nous de Marie» – Ed. Salvator – 1976 Recomendamos também os números de Cahiers Mariais – CCP 05 – Paris e « Nova Aurora » -S. Paulo. Essas duas revistas de pastoral mariana prosseguem seu objetivo de « atrair a atençâo sobre Maria e ajudar, sobretudo os catequistas e agentes de pastoral, a reencontrar sua presença maternal na vida dos homens ».

7 P. Koelher, S. M. « Marie dans les enseignements de Paul VI » in Cahiers Mariais – n° 74, 101, 102, 103, 108, 11 1.

8 Leia-se o excelente subsidio oferecido pela carta pastoral dos Bispos dos Estados Unidos: « Behold your Mother – Woman of Faith » traduzido pelas Ed. Paoline: « Ecco tua Madre, una Donna di fede » – (Roma 1973).

9 Paulo VI – «Evangelii Nuntiandi» – n° 48 – « Religiosidade Popular».

10 M. E. Pironio: « La Evangelización del Mundo de hoy en América Latina » -Buenos Ayres – 1976.

11 L. Boff: «Maria, Mulher Profética e Libertadora» in REB – marco de 1978 -Petrópolis (RJ).

12 Idem, ibiden, pag. 61.

13 J. B. LiBÀNio: « Maria numa perspectiva teológica atual » – in Nova Aurora -marco de 1978 – pag. 9.

14 Evangelii Nuntiandi, 82. Ler o artigo de D. Lucas Moreira Neves: « La Stella dell'evangelizzazione » – in Miles Immaculatae, 3-4 – 1977.

15 Intervengo de Cardeal J. Carberry, Arcebispo de St. Louis, USA, no Sinodo dos Bispos de 1977 – in Osservatore Romano, edicào portuguesa de 23 de outu-bro de 1977.

16 Paulo VI – in Marialis Cultus, n° 25. Nota cristológica do culto da Virgem Maria.

17 C. Bertola, O.S.L. « Tentativi di applicazione del nuovo modello mariano del Vaticano II alla catechesi » – Roma – 1975.

18 A. M. Autran:: « Mulher Nova » – « pelos caminhos de Maria » – Ed. Paulinas -Sào Paulo – 1976.

19 Recomendamos a excelente obra de J. Me Hugh: « The Mother of Jesus in the New Testament ». USA – 1975. Traduçâo francesa: « La Mère de Jésus dans le Nouveau Testament » – Cerf – 1977.

20 Paulo VI – O Espirito Santo e Maria – Carta ao Cardeal Suenens por ocasiäo do Congresso Mariano Internacional, 13 de maio de 1975.

21 Leonardo Boff – art. citado.

22 A. -M. Autran, L'attitude de nos jeunes en face de la Vierge Marie, Rome, 1963 – mémoire polycopié.

23 Fr. Basilio Rueda, Méditation à haute voix d'un supérieur général, in Circulaires, vol. XXV, No. 3, Rome, 1971.

24 Fr. Basilio Rueda, Un nouvel espace pour Marie, Circulaires, vol. XXVI, No. 4, Rome, 1976.

25 XVIe Chapitre Général, Document mariai, La Sainte Vierge dans la vie du Frère Mariste, chap. V. No. 2, Catéchèse mariale.

26 ibid. chap. V, No. 3, éducation mariale.

27 Voir entre autres: W. Beinert, Parlare di Maria oggi?, éditions paulines, Rome, 1975. – A. Rouet, Marie, édition du Centurion, Paris 1975. – Société mariale espagnole, Encyclopédie mariale postconciliaire., édition Conclusa, Madrid, 1975.

28 Voir: J. Laurenceau, Parlez-nous de Marie, édition Salvador, 1976 – Nous recommandons les revues: Cahiers mariais, CCP 05, Paris et Nova aurora, Sao Paulo. Ces deux revues de pastorale mariale ont pour objectif d'attirer l'attention sur Marie, d'aider surtout les catéchistes et les agents de la pastorale à redécouvrir sa présence maternelle dans la vie des hommes.

29 P. Koehler, S.M. Marie dans les enseignements de Paul VI, in Cahiers Mariais, Nos. 74, 101, 102, 103, 108, 111.

30 Lire l'excellente matière fournie par la lettre pastorale des évêques des Etats-Unis: Behold your Mother, woman of faith, traduit en italien pour les éditions paulines, « Ecce tua Madre, une donna di fede ». Roma, 1973.

31 Paul VI, Evangelii nuntiandi, No. 48, Religiosité populaire.

32 M. E. Pironio, La evangelizad on del mundo de hoy en América Latina, Buenos Aires, 1976.

33 L. Boff, Maria, Mulher Profética et Libertadora, in REB., março de 1978, Petropolis, (R.J.).

34 ibid. p. 61.

35 J. B. Libanio, Maria numa perspectiva teológica atual, in Nova Aurora, mars 1978, p. 9.

36 Paul VI, E.N., 82. – lire l'article de D. Lucas Moreira Neves, La Stella del-l'evangelizzazione, in Miles Immaculatae, 3-4, 1977.

37 Intervention du Card. J. Carberry, archevêque de Saint-Louis, U.S.A. au Synode des évêques de 1977, in Osservatore romano, 23 oct. 1977.

38 Paul VI, Marialis cultus, No. 25, Note christologique du culte de la Vierge Marie.

39 C. Bertola, O.S.L., Tentativi di applicazione del nuovo modello mariano del Vaticano II allo catechesi, Rome, 1975.

40 A. M. Autran, Mulher nova, – pelos caminhos de Maria, éditions paulines, São Paulo, 1976.

41 Nous recommandons l'excellente oeuvre de J. McHugh, The mother of Jésus in the New-Testament, U.S.A. 1975 – traduit en français sous le titre, La Mère de Jésus dans le Nouveau Testament, édition du Cerf, Paris, 1977.

42 Paul VI, L'Esprit-Saint et Marie, Lettre au Cardinal Suenens à l'occasion du Congrès mariai international, Rome, 13 mai 1975.

 

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