12 de maio de 2015 CASA GERAL

21º aniversário da morte de nosso irmão Henri Vergès

No dia 8 de maio, o irmão Henri Vergè foi assassinado na Argélia com a irmã Paul-Hélène em seu escritório na biblioteca da rua Bem Chened, em Argel. Vinte e um anos depois de sua morte, vamos analisar alguns fragmentos da comunicação enviada aos membros do Capítulo Geral em 1976 sobre a prática dos conselhos evangélicos. Esses textos podem ressoar em nós como um chamado e um convite neste ano da Vida Consagrada. 

 

Pobreza religiosa e um mundo que luta por justiça

“Mediante nossa pobreza pessoal e comunitária, partilhamos a condição dos pobres e sua paciência ativa visando a uma melhor distribuição dos bens materiais e culturais. Por seu significado religioso (desprendimento diante do Absoluto de Deus), ajudamos o povo argelino a não perder de vista o sentido de Deus por causa do progresso técnico puramente material. Mediante o desenvolvimento comunitário (vida partilhada), nós ajudamos a construir um socialismo autêntico em que a pessoa se torna cada vez mais responsável por seu próprio desenvolvimento e dos demais”.

 

Obediência religiosa e pessoas responsáveis por si mesmas

“Vindo à Argélia, respondemos a um chamado de Deus. Esse chamado pode se conciliar com o desejo de se comprometer ativamente no serviço do Terceiro Mundo. Como ocorre com a pobreza, nossa obediência é religiosa e comunitária. Estando atentos a Deus (contemplação), escutando aos demais (partilhar), obedecendo aos superiores (expressão carismática da vontade de Deus), aprendendo a escolher o que é mais certo para seguir sendo livres. Com humildade ( = verdade) fortalecidos com a fidelidade de Deus, realizamos juntos o que Ele espera de nós, com vistas ao Reino, isto é, a nova aliança de Deus com a humanidade… MUSLIM, MUSULMÁN, significa: “sujeito a Deus como ser livre que conhece seus limites”. Esse povo, tornando-se responsável por seu próprio destino, cumpre a vontade de Deus. Unimo-nos a esse desejo mediante nossa disponibilidade.”

 

Castidade consagrada e vida em um mundo sexualmente misto

“O mundo mulçumano não conhece a castidade consagrada. Sinal do amor de Deus e chamado ao amor universal, nosso voto não pode ser entendido se a pessoa não se apresenta profundamente livre (votos de pobreza e obediência). Portanto, nossa consagração realiza o desejo de libertação do casamento mediante um amor que é intercâmbio. Toda relação é sexuada: de pais e filhos, de educador e estudante. No entanto, essa relação somente liberta no transbordamento do amor. Logo, é no respeito e na abertura aos outros que nosso voto de castidade, sinal de pertença exclusiva a Deus, que se merece esse dom escatológico e que pode ser entendido pelo mulçumano crente. Nosso comportamento, marcado por esse amor, não deveria nos fazer passar por superpessoas, mas por pessoas de Deus”. (cf. a obra "De Capcir a la Casbah", páginas 50-52).

_________________

Ir. Alain Delorme

ANTERIOR

Personalidade do Vaticano elogia trabalho do ...

PRÓXIMO

Ecônomo geral: Espero acrescentar meu pequen...