17 de março de 2012 MALAWI

A Educação, coração do desenvolvimento

O Maláui, the warm heart of Africacoração quente da África, é um país tranquilo: desde a sua independência da Grã-Bretanha em 1964, há estabilidade política, nenhum conflito tribal, ótimas relações com todos os outros países. Exatamente por isso é o refúgio ideal para muitos prófugos das populações circunstantes.

Uma recente visita nos permitiu de conhecê-lo um pouco. Sua população é de cerca de 13 milhões; sua superfície de 118.000 km2; a renda per capita é de 830 $ (172º no mundo) e, de fato, cerca de 40% vive com menos de um dólar por dia. Grandes são os problemas sanitários, sobretudo pela forte presença de doentes de AIDS e, entre esses, também muitas crianças. A alfabetização chegou a 72% com diferenças entre o sexo masculino e feminino. Mas, se consideramos a possibilidade de acesso à instrução secundária, pequeno é o percentual daqueles que continuam os estudos e, baixíssimo, aquele das meninas adolescentes.

Os Irmãos Maristas estão presentes no Maláui desde 1946. Em nossa breve visita, conversamos sobre como a FMSI pode sustentar o trabalho deles. Os projetos realizados referem-se a três objetivos: garantir uma educação e uma formação realmente útil para a vida; reduzir o abandono escolar, sobretudo, das meninas e dos rapazes; favorecer o acesso à escola para os rapazes mais pobres e dar uma segunda oportunidade àqueles que, por vários motivos, abandonaram a escola.

Em sua viagem o Ir. Mário e Ângela puderam visitar quase todas as realidades educativas maristas. A primeira etapa da visita foi à Escola Secundária dLikuni, perto da capital Lilongwe.  É um dos 5 institutos pela educação secundária administrados pelos Irmãos Maristas; os outros são: Zomba Secondary School, em Zomba; Charles Lwanga School, em Balaka; Mtendere Secondary School e Marist Secondary School, no distrito de Dezda. Todas essas escolas fazem parte do sistema público. Os professores são escolhidos e pagos pelo Ministério da Educação; 80% dos alunos são selecionados pelo Governo, com base na avaliação pelo exame nacional (PSLCE – Primary School Leaving Certificate) e são enviados às escolas de todas as regiões do País. Se de uma parte esse sistema das “boarding schools” (internatos com prestações a pagar) favorece o encontro de jovens de regiões diversas e premia os que mais merecem, de outra, faz com que a escola continue sendo uma realidade fechada para a comunidade local. Paradoxalmente, quem vive nas vilas ao redor da escola não pode usufruir dela e ainda, o acesso é tão seletivo que deixa fora a maior parte dos rapazes e com poucas outras prospectivas. Além disso, os “boarding-schools” são divididos em masculinos e femininos, mas o percentual desses últimos é muito baixo. E então uma das primeiras preocupações dos Irmãos Maristas tem sido a de criar uma ponte com o povo do lugar. A primeira experiência foi em Likuni, perto de Lilongwe, onde hoje existe o “boarding-school” com 320 alunos e o “open-day school” (dia corrido de aula) é frequentado por 516 rapazes e moças dos povoados.

Também nos arredores de Mtendere (Dezda), que é o centro da atividade marista no Maláui, os Irmãos se preocuparam em superar o desligamento com o território. Ao lado da “Marist Secondary School” nasceu uma “open-day school”, onde, de tarde podem frequentar os rapazes e as moças do local, sob a orientação dos mesmos professores da M. S. School. O Ir. Patrick Bwana, homem extraordinário pelo carisma e pela dedicação, começou a reunir ao lado da ‘Mtendere Secondary School’ os rapazes do povoado, alguns com deficiências ou órfãos… envolvendo, inicialmente, algum voluntário e, depois, a inteira comunidade local. Essa atividade hoje se tornou um terceiro centro formativo marista: o “Champagnat Center” com uma escola secundária constituída por todos os rapazes de moças do local. O orgulho deles (de Patrick Bwana e do Sr. Jibson Peter Thole, atual diretor) é que os resultados do exame não são inferiores àqueles de muitos “boarding schools”.

Para eles há outras salas em construção, graças à contribuição conjunta da FMSI e da agência espanhola ‘Manos Unidas’; está quase pronta a parte em madeira e há também um posto para os gêneros de primeira necessidade. Certamente, falta ainda muito. A instalação hídrica é insuficiente e não podem ensinar agricultura de modo adequado; o pequeno gerador de corrente elétrica é muito insuficiente e o diretor gostaria de ter uma casa para residir ali e fazer também a função de vigia. E tantos outros projetos de Patrick Bwana, hoje com 91 anos, cheio de vitalidade juvenil, se resolvem com o ditado: “Forward ever. Backward never!” (sempre adiante, nunca para trás!). A FMSI continuará ao lado deles, porque é lindo demais ver os rostos felizes dos rapazes e moças e a festa que nos reservaram. Estão conscientes da sorte que tem e não importa se devem percorrer quilômetros para chegar até ali. Ao menos para eles, a escola vale bem algum sacrifício!

Os dias de nossa presença coincidiam com a falta de combustível em todo o Maláui (problema que se prolonga também em 2012) razão porque a ideia de visitar as escolas maristas do sul (Balaka e Zomba) se tornou impossível; mas um Irmão ficou horas na fila para obter o combustível e levar-nos a conhecer ao menos dois projetos no norte do País, também esses sob a direção marista. Uma viagem de cerca 400 km para chegar a Rumphi e encontra a comunidade rural de Nkwangu. Essa vila, graças à iniciativa do povo e de seus chefes, tornou possível vários programas, antes de tudo uma escola. Com a ajuda da FMSI foram construídas 4 salas de aula, mas outras seriam necessárias, porque se continua a dar aula sob as árvores… A região já é ponto de referência para outros povoados e aumentam as atividades: alfabetização para adultos, formação agrícola, promoção da mulher, educação sanitária e assistência aos doentes de AIDS… E com essas há uma longa lista de pedidos de ajuda! Pouco antes de escurecer, deixamos a vila: não sabíamos se deveríamos ficar consternados pelas imensas e urgentes necessidades, ou admirados com a dignidade das pessoas e de sua grande vontade de recuperação…

Para o dia seguinte somos esperados na vila de Katete (Mzimba), da comunidade da Irmã Jasintha Mkandawire que criou um pensionato para 40 meninas, que de outro modo são excluídas da escola, e onde a FMSI contribuiu para a compra das camas e colchões. Para nossa chegada tinham colocado flores por toda parte e as meninas nos acolheram com um entusiasmo indescritível. Percebia-se a alegria de poderem estar ali, apesar das fortes pressões (ilustradas num simpático esquete teatral – sketch) que sofrem das próprias famílias para se casarem cedo e deixarem os estudos. Uma profunda tristeza nos invade no momento de retornar: são 17h30 e é quase escuro; todos correm para comer rapidamente, porque dentro de pouco a vida se paralisa. Não há luz elétrica, não se pode estudar, nada se pode fazer. É desconcertante para um europeu, povo da noite…

Só podemos ser agradecidos por tantas pessoas que encontramos nessa viagem. Quanto vale o trabalho delas? A melhor resposta nos parece ser aquela de uma refugiada de Darfur: “Tivemos que abandonar tudo… A única coisa que pudemos levar conosco estava em nossa cabeça: aquilo que tínhamos aprendido; a nossa instrução. A educação é a única coisa que não nos podem tirar.”

Para uma informação mais completa podem ser vistas as fichas explicativas:

  1. LIKUNI
  2. POLO ESCOLÁSTICO DE MTENDERE (DEZDA)
  3. CHAMPAGNAT CENTRE
  4. ESCOLAS MARISTAS DO SUL DO MALÁUI
  5. RUMPHI
  6. KATETE

http://www.fmsi-onlus.org

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