8 de abril de 2014 COREIA DO SUL

Abel Eom e Christina Kim

Abel e Cristina participaram do programa Ad Gentes como Missionários Maristas durante quase cinco anos. Agora estão de volta à sua casa na Coreia. Aqui falam de sua experiência. 

 

Abel Eom

Sou um homem de muitos “títulos” — Sr. Eom, missionário leigo marista, voluntário, professor, ex-irmão marista, agente social e pioneiro da AMAG (Asia Marist Ad Gentes). No entanto, me chamo Abel, nome que escolhi no meu batismo. Desde então, venho sendo nutrido por Sua palavra e continuo com fome de Seu amor em minha vida.

Nesse sentido, minha experiência de servir na AMAG como leigo marista durante quatro anos e meio foi uma bênção (…). Apreciei meu trabalho aqui como professor do orfanato, nos finais de semana, na casa de formação e como membro de um grupo de oração jovem. Contudo, o momento mais feliz para mim é participar dos retiros anuais. Penso que é nesse momento que partilhamos  espírito, visão e identidade, o que raramente conseguimos em outros espaços.

Quando penso em voltar à Coreia, tenho um sentimento de aceitação — tenho de aceitar a realidade da minha vida e seguir em frente. Ao mesmo tempo, estou muito feliz porque volto com muitos presentes. Esses presentes não são apenas símbolos de profundas amizades e experiências significativas, mas também lembranças do meu período de crescimento espiritual.

Desde meu batismo, sempre alimentei um anseio espiritual, que provavelmente me fez entrar no AMAG. Todavia descobri que recebemos os dons de Deus não por causa de nosso trabalho ou esforços intencionais, mas pela mediação de Seu amor e Sua compaixão. Por isso quero agradecer a Deus por Sua resposta generosa durante meu tempo como leigo marista. Assim, parto para a Coreia com uma semente espiritual preciosa em meu coração. Rezo para que eu possa alimentar essa semente, fazendo com que se desenvolva saudável para o resto da minha vida pela graça de Sua misericórdia. 

 

Christina Kim 

Antes eu era um agente social na Coreia, cuidando de crianças com deficiência. Em seguida, junto com meu marido, entrei no programa marista para missionários na Ásia. Agora, quatro anos e meio depois, volto para casa na Coreia e estou agora entre as mesmas pessoas, nos mesmos lugares familiares onde comecei. Mas não sou mais a mesma pessoa que fui um dia.  Que coisas trouxe comigo que provocaram tantas mudanças em minha vida? 

Nossa jornada começou com uma longa viagem de um ano nas Filipinas. Essa foi minha primeira experiência de vida comunitária e, com ela, aprendi a reconhecer e aceitar as diferenças encontradas em cada um de nós. Em certo dia ensolarado, sentados ao redor da mesa do almoço, alguns dos presentes começaram uma discussão acalorada. De repente, o meu jeito coreano de pensar suscitou uma pergunta: “Como posso partilhar arroz com essa gente?”. Na manhã seguinte eu os vi se abraçando e se desculpando com toda a sinceridade de coração, com lágrimas correndo em seus rostos. Esse incidente me deu a oportunidade para pensar mais uma vez no verdadeiro significado de comunidade.

Nossa primeira missão foi na Índia. Quando recebi essa atribuição, meu coração ficou estático e senti a alegria do Espírito Santo, imaginando acompanhar crianças pobres e andar pelas favelas, assim como Madre Tereza de Calcutá costumava fazer. Quando cheguei ao local da missão, rapidamente descobri como havia sido ingênua, passando a enfrentar os mosquitos e a poluição. 

Um dia, vi um Irmão de outra parte do mundo esforçando-se para comer sua porção de arroz. Perguntei-lhe porque ele estava se sentindo tão incomodado. Ele me disse então que não estava acostumado a comer arroz e que isso às vezes lhe causava náuseas. No entanto, ele disse que essa era a comida que as crianças do albergue comiam  e ele queria ser como elas. Quando ouvi isso, fiquei profundamente impressionada e senti um enorme respeito por esse Irmão, pois, mesmo em uma aldeia isolada no interior da Índia ele queria viver nossa espiritualidade marista, colocando em prática o mandamento do amor de Jesus.

Bem, acabamos de voltar para nossa casa na Coreia. Viver com os Irmãos maristas por quatro anos e meio me ensinou um novo modo de me relacionar com as pessoas, partilhando com alegria minha vida com elas, do jeito de Maria ser atenciosa às necessidades dos outros.

Agora as pessoas que convivem comigo com frequência dizem: “Depois desses anos todos fora, você parece diferente. O que mudou você?” Sempre acho difícil responder a essa pergunta. Não fui só uma pessoa ou um evento isolado que me transformou. Em verdade, foi um processo simples e constante que me impregnou da espiritualidade da congregação marista. Assim, acho difícil explicar com precisão minha transformação. Com o passar do tempo, as lembranças das atividades de que participei e as pessoas que conheci podem ir se afastando de mim, mas agora as considero uma dádiva magnífica, uma graça incrível. Meu apostolado marista durante os quatro anos e meio me ensinou uma lição maravilhosa que acalentarei com carinho no meu coração. Aqui na minha escrivaninha tenho uma frase de Santo Agostinho: “Primeiro preencha-te para poder depois oferecer aos outros”.

Do fundo do meu coração agradeço a Deus por oferecer-me essa oportunidade e experiência; e quero expressar minha gratidão mais sincera às pessoas que me ajudaram a preencher minha vida de significado, durante esses preciosos anos em que meu marido e eu vivemos nas comunidades maristas.

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