12 de maio de 2005 VATICANO

Como um peregrino, trouxe minha bagagem para Roma

O sentido dos elementos que, a partir de 6 de maio de 2005, compõem o Brasão do novo Papa, tal como ele os descreve na sua autobiografia de 1997.

Conta-se que um urso havia espedaçado o cavalo de São Corbiniano, fundador da diocese de Freising, quando este se dirigia a Roma. Corbiniano repreendeu o urso veementemente e o puniu colocando sobre ele as bagagens que o cavalo trazia. O cardeal Ratzinger explica: o urso teve que carregar a pesada bagagem de Corbiniano até Roma; conta-se que chegando lá, o santo libertou o urso. Se este último refugiou-se na região de Abruzzo ou se voltou para os Alpes, é uma lenda sem muita importância. O importante é que eu trouxe minha bagagem a Roma e que, depois de vários anos, eu ando com ela pelas ruas da Cidade Eterna. Além do mais, continua o Santo Padre na sua autobiografia de 1997 ? eu escolhi dois outros símbolos. O primeiro é a concha, que simboliza antes de tudo que nós somos peregrinos, que estamos em caminho: ?não temos morada permanente?. Mas isso me lembra também a lenda atribuída a Santo Agostinho. Ele encontrou uma criança na praia que tentava colocar toda a água do mar em um buraco cavado na areia utilizando-se de uma concha. Agostinho diz então à criança que essa era uma missão impossível, enquanto ele mesmo, com seus esforços humanos e um espírito bem limitado, buscava compreender um Deus infinito. Não é senão através da humildade que se pode conhecer a Deus.
O segundo símbolo se encontra há mais de mil anos sobre os brasões dos bispos de Freising: o mouro coroado. Não se conhece o seu significado exato. Para mim, trata-se uma expressão da universalidade da Igreja que não faz distinção nem de raça nem de classe, pois formamos um só corpo em Cristo.
Finalmente, surgem dois novos elementos: uma simples mitra que substitui definitivamente a antiga tiara, e o pallium, uma antiga insígnia litúrgica, característica dos Papas que é possível ser vista nos quadros dos antigos Pontífices do V ao século XIV. A divisa que aparece sobre as armas cardinalícias: Cooperator veritatis ? Cooperadores da verdade ? não aparece sobre as armas papais, segundo uma velha tradição.

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