23 de setembro de 2011 BRASIL

Distrito da Amazônia

Estamos trabalhando na comunidade indígena do Maronal, cabeceira do rio Curuçá.  Nossa comunidade marista de referência e apoio é a de Tabatinga. No final do semestre, em dezembro, voltarei para lá. São uns dez dias de barco, ou dois dias se o barco é a motor.

Nosso compromisso com o povo Marubo do Maronal é no triênio 2010-2012. Assumimos como principal atividade a educação escolar indígena.  No ano passado contávamos com a presença do Ir. Eder e neste ano de 2011 estou sozinho. Deveremos contar com uma companheira do CIMI (Conselho Indigenista Missionário, da Conferência dos Bispos) que fará comunidade comigo e colaborará no trabalho pedagógico.

Neste ano destacamos como ponto alto o empenho dos alunos nos estudos. Se tudo der certo, no dia 3 de dezembro estará acontecendo a conclusão do ensino fundamental (9º ano). Será algo inédito, pois, será a primeira turma em toda a Terra Indígena do Vale do Javari a completar os estudos. E para 2012 já está prevista a possibilidade de um Ponto digital para que esses alunos possam continuar seus estudos na aldeia e frequentando o Ensino Médio.

Outros fatos importantes foram o IV Encontro de Pajés e o III Festival Cultural. Estiveram presentes várias comunidades marubos dos rios Curuçá e Ituí, bem como o povo Mayoruna do Rio Pardo e dois jovens Matis.

No encontro dos Pajés ficou evidente toda a preocupação dos pajés, curandeiros e rezadores no tocante às novas doenças que eles desconhecem e não conseguem curar. No linguajar deles é doença dos Nawa (brancos). As doenças próprias deles eles conseguem curar e resolver. Mas as dos nawas, não.

O festival cultural foi um momento muito rico, principalmente a integração dos diferentes povos e a apresentação cultural própria de cada povo. Muita brincadeira, atletismo, lançamento de lança, arco e flecha, esporte, atletismo. O mais bonito foram as danças tradicionais com seus enfeites, adornos, pintura corporal.

Neste segundo semestre daremos continuidade à educação e outras festas tradicionais. É a época de plantio de mandioca, banana, milho, batata doce cardápio do povo Marubo. Cultivam também frutas (cupuaçu, mamão, manga, abacaxi, caju, goiaba…). Há abundância de caça e peixes.

O trabalho é bastante desafiador. O pior contratempo, além das distâncias, são as constantes malárias. Temos uma casa doada pela comunidade.

Há um grupo de jovens e adolescentes pedindo o Batismo. Neste semestre vou prepará-los para assumirem ou não a fé cristã. Temos que estar atentos ao confronto da religião com algumas práticas culturais. Eles precisam ser conscientizados para, só depois, tomarem uma decisão. O Batismo está programado para o dia 4 de dezembro.

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Irmão Nilvo Favretto.

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