25 de junho de 2008 ESPANHA

Equipe da Postulação

Todos os anos a equipe da postulação promove uma reunião de todos os seus membros. Neste ano ocorreu em Madrid, em nossa casa de Xaudarò, entre os dias 30 de abril a 4 de maio. Estiveram presentes os Irmãos Mariano Santamaría, para as causas de nossos mártires da Espanha; o Ir. Alain Delorme, vice-postulador para a causa do Ir. Henri Vergès; os dois Irmãos do México: José Flores García e Jorge Flores Aceves que acompanham a causa do Ir. Basílio Rueda, e o Ir. Giovanni Maria Bigotto, postulador geral.

Um olhar retrospectivo permite apreciar o trabalho feito: a causa do Ir. Basílio, que passa pela fase dos teólogos encarregados de ler os escritos do Irmão. O tribunal para a causa do Ir. Henri Vergès, instaurado em Alger, convoca as testemunhas que o conheceram. O Ir. Alain Delorme acaba de escrever um novo livro sobre o Ir. Henri Vergès: ?Prier 15 jours avec Henri Vergès?. É um livro que nos convida a entrar na intimidade do mártir e a rezar com ele. Queremos traduzir o livro ao espanhol, português e inglês.

O Ir. Mariano está terminando a redação da ?positio? sobre o martírio do Ir. Eusébio e 58 outros Irmãos. Assegura também a publicação regular da revista ?Testigos?, onde recolhe testemunhos e apresenta a biografia dos mártires. A beatificação de 28 de outubro de 2007 significou para ele fazer-se presente em muitas cidades e povoados onde os novos bem-aventurados tinham nascido, participando de celebrações, às vezes dirigindo-as, sempre informando os fiéis sobre o martírio desses Irmãos.

Em nosso encontro reservamos muito tempo às peregrinações, indo aos lugares em que os Irmãos foram mortos e onde foram inumados. Em Barruelo, onde o Ir. Bernardo foi assassinado, as pessoas nos acolheram com muita simpatia, repetindo-nos amiúde que Bernardo era o santo deles, que seu corpo repousava na igreja paroquial. Encontramos alguns de seus ex-alunos e, sobretudo, ficamos impactados com o testemunho do Ir. Pedro Sanjosé: Nascido em Barruelo, em 1935, com 7 anos fez sua primeira comunhão na igreja em que nos encontrávamos. Depois, a vocação marista o levou ao Chile e à Argentina como seu campo de vida apostólica. Voltou à Espanha por problemas de saúde, encontrando-se agora na comunidade de Lardero. Em nossa presença, recitou o preâmbulo de ?Platero y Yo? encontrando aí a definição de educador.

A peregrinação a Torrelaguna, torrão do cardeal Cisneros, teve um caráter especial. Neste povoado, a 40 km de Madrid, nasceu o Irmão Crisanto, mártir em Les Avellanes. Os três Irmãos que, em 1936, formavam a comunidade, também foram mortos. Seus restos mortais repousam numa bela urna de mármore branco, numa capela lateral da grande igreja paroquial. Aí tivemos uma celebração presidida pelo Vigário geral da diocese. Éramos uma centena de pessoas. Muitas nos falavam da forte marca educativa que os Irmãos deixaram entre a população. A veneração que as pessoas de hoje têm para os Irmãos é evidente, e se manifesta no louvor, na simpatia e na acolhida cordial que as pessoas nos deram.

Toledo foi o último lugar de nossa peregrinação. Nesta cidade, os onze Irmãos que aí residiam, em 1936, foram fuzilados. Toda a comunidade nos deu o testemunho da fidelidade ao Senhor até o sangue. Os restos mortais dos Irmãos repousam num belo sarcófago de mármore, na igreja paroquial de Santa Teresa, próxima a nosso colégio. Nossos Irmãos de Toledo reservaram-nos uma generosa acolhida: rezaram conosco, juntos depositamos um ramalhete de flores vermelhas sobre o sarcófago branco, e juntos almoçamos ao meio dia.

Este contato com nossos mártires permitiu-nos constatar como eles gozam da fama do martírio entre o povo simples; os cristãos dessas paróquias os invocam, admiram e são ufanos por terem, em sua igreja, os restos mortais desses educadores maristas. Por sua morte e por sua presença nas igrejas paroquiais, testemunham ainda hoje o primado do Senhor Jesus. Para o povo eles são seus mártires, seus santos, sua ufania.

Para nós, postuladores, esses foram momentos reconfortantes. Quando nós, talvez, temos tendência a esquecer ou a relativizar nossos próprios mártires, os cristãos simples mantêm acesa a chama da veneração, da confiança, da invocação e da oração. Essa fé do povo de Deus é um bálsamo no íntimo de nossa fé.

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