3 de julho de 2010 CASA GERAL

Falando de mártires

Uma palavra sobre a causa do grupo de mártires do Irmão Crisanto. Esse grupo conta com 68 mártires, 66 Irmãos e 2 leigos. A ?positio? ou livro demonstrativo do martírio, foi entregue à Congregação dos santos, no dia 7 de dezembro de 2001. Após nove anos de espera, encontra-se hoje na 22ª colocação no conjunto das causas e na 7ª posição no que se refere às causas dos mártires da Espanha. Isso permite supor que a ?positio? será estudada ao longo do ano de 2010, pelos teólogos e, em 2013, pelos cardeais e bispos.

A beatificação talvez seja possível pelo ano de 2014… Poderíamos esperar o ano de 2017 para incluí-la no quadro do bicentenário da fundação do Instituto.

Um documento consistente sobre esse grupo foi colocado entre as obras referentes aos nossos santos, disponível na série: Nossos Santos, em nossa página WEB.

Dos mártires da Espanha falta ainda o grupo do Irmão Eusébio e seus 58 companheiros, todos Irmãos e mártires. Entretanto, precisamos ainda concluir a ?positio? desse grupo. Estamos esperando que o relator, membro da Congregação dos santos, faça a leitura do capítulo sobre o martírio, que vem a ser o último.

Mártires da Argélia

Em outubro de 2007, a arquidiocese de Argel começou a causa dos mártires da Argélia. Eles formam um grupo de 19 mártires, entre maio de 1994 a agosto de 1996. Quem iniciou a fila foi o Irmão Henri Vergès com a Irmã Paul-Hélène, mortos no dia 8 de maio de 1994. A lista foi encerrada por Dom Pierre Claverie, bispo de Oran, morto em 1º de agosto de 1996. No grupo há também 7 monges Trapistas de Tibhirine, cuja vida foi encenada no filme ?Des Hommes et des Dieux? (Homens e deuses) e mereceu o grande prêmio no festival de Cannes. Na lista estão também 6 Irmãs: Esther e Caridade, Marie-Angèle e Bibiane, Odette, e Paul-Hélène acima citada, e 4 Padres Brancos: Jean Chevillard, Alain Dieulangard, Charles Deckers e Christian Chessel.

Na Argélia estive de 20 a 28 de maio, na qualidade de postulador da causa, para avaliar em que ponto estavam os trabalhos. A situação é a seguinte:

1-O tribunal diocesano já escutou 136 testemunhas; são todas pessoas que conheceram bem as vítimas. Responderam perguntas sobre a pessoa do mártir e sobre o martírio. Mais adiante, darei alguns pensamentos expressos por uma ou outra testemunha ou recordando pensamentos dos mártires. Faltam ainda 4 ou 5 testemunhas para serem convocadas. Assim teremos uma média de 7 testemunhas para cada mártir; mas como frequentemente se trata de grupos de mártires, o número efetivo fica entre 14 e 21.

2-Os historiadores encarregados de encontrar os documentos e os escritos dos servos de Deus terão uma reunião, nos dias 1,2 e 3 de junho, na Casa geral dos Padres Trapistas. Provavelmente chegarão ao relatório final, o que conclui o trabalho deles.

3-Os teólogos são nomeados para os casos mais importantes: dois para ler os escritos dos 7 monges de Tibhirine e dois para aqueles de Dom Pierre Claverie. Os outros casos, com menos escritos, serão vistos por Monsenhor Ghaleb Bader ou por um teólogo por ele designado. Supondo que os teólogos censores iniciem o trabalho com rapidez, pode-se prever o encerramento do tribunal diocesano, dentro de um ou dois anos. Começaria então a fase romana da causa.

4-Eis algumas ideias respigadas entre os testemunhos:
– No hospital que acolheu seus corpos, a Irmã Marie Angèle e a Ir. Bibiane foram vestidas à moda argelina. Como não ver aí o acolhimento definitivo que o povo argelino prestou a essas duas Irmãs, consideradas pelo povo como verdadeiras argelinas.
– Para a Irmã Odette, o pessoal do hospital demonstrava ternura face à morte, emoção forte, silenciosa e misturada com vergonha.
– Uma testemunha teve essa bela expressão: « A lembrança dos mártires desperta um desejo de paz!? ?No funeral dos 4 Padres Brancos, em Tizi-Ouzou, uma flor foi ofertada a todas as pessoas que estiveram nos funerais e eram muito numerosas.
-Outra testemunha constata « Esses mártires preferiram os esquifes às malas! »

– O Cristo é o centro, e os mártires estão no centro.
– Um sacerdote afirma: « Cito os nomes deles no cânon da missa ? ».
– O Padre Bernardo Oliveira, Superior geral dos Trapistas, encontrou-se com João Paulo II, à mesa, por ocasião do Sínodo das Américas. O secretário do Papa, Dom Diwitzch, perguntou-lhe se os monges mortos na Argélia eram mártires. O Papa respondeu categoricamente: ?Eles são verdadeiros mártires…?. Sabe-se também que João Paulo II, em sua capela pessoal, Redemptoris Mater, colocou Christian de Chergé junto a dois mártires dos primeiros séculos da Igreja.
Dom Pierre Cleverie reconhecia: « Labutei em favor do diálogo e da amizade entre as pessoas, as culturas, e as religiões. Tudo isso, provavelmente, merece a morte, e estou pronto para assumir os riscos; isso seria mesmo uma homenagem ao Deus no qual eu creio!?(Maio de 1994) E acrescentava: Enfrentar a morte sem nenhum outro equipamento que o amor desarmado!? Assim ele via a Igreja: ?Uma Igreja cujo chefe pode ser morto como todo mundo!?

Duas coisas vão juntas nesses mártires:
-eles quiseram continuar fiéis ao povo argelino, à sua cultura, a seus amigos, como também à Igreja da Argélia; eles se consideravam homens de diálogo e queriam permanecer com um povo que, também ele, era submetido ao martírio.
-Cada mártir recebeu desse povo argelino muitos testemunhos de apreço, misturados com muitas lágrimas; diante da morte, o povo argelino encontrou os melhores sentimentos humanos, revelando um grande sentimento de humanidade que tem no coração: para cada assassino há muitos corações que choram.

Temos aqui duas extremidades de ponte para um diálogo religioso sólido.

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Ir. Giovanni Maria Bigotto, postulador

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