6 de julho de 2010 ROMêNIA

Lares de esperança

O Irmão marista Juan Carlos Sanz é o coordenador de uma casa do ?Centro São Marcelino Champagnat?, de Bucareste (Romênia). Falou de sua experiência, por ocasião das jornadas celebradas na Universidade ?Cardenal Cisneros?.

Como nasceu essa iniciativa?
Foi uma resposta à situação que encontramos em 1998, ao chegarmos a Bucareste: meninos e meninas não tinham alternativa para viver a não ser os orfanatos estatais. Nosso projeto dá atenção a essas crianças, num ambiente familiar.

Qual é o perfil dos rapazes que o centro acolhe?
Há meninos totalmente abandonados por suas famílias e há outros cujas famílias não têm condições mínimas para sobreviver e para garantir-lhes os direitos de uma criança. Provêm de lares em extrema pobreza ou de situações familiares complicadas. Há muitos problemas porque os pais se separaram e os filhos são para eles um obstáculo para reconstruir suas vidas.

Na Romênia, o abandono de crianças é um fenômeno comum?
Trata-se de uma situação muito complicada. Há uns 9.000 casos anuais de abandono, segundo dados da Unicef: 4.000 crianças são abandonadas logo depois do nascimento e 5.000, ao longo do primeiro ano de vida.

Que deficiências apresentam os orfanatos estatais nesse país?
Trata-se de macrocentros em que as crianças não passam de números, e são privadas de uma relação positiva com os adultos. São centros com estruturas bem obsoletas, velhas. Há também a mentalidade das pessoas, bem mais complicada para mudar. Os centros dispõem de numerosos funcionários, mas muito mal pagos. Um profissional desses centros recebe em torno de ?100 por mês.

Pode-se dizer que a Romênia é um ?Estado falido? na questão da infância?
De certo modo, sim, porque na época de Ceaucescu, a esposa do presidente vendeu a ideia seguinte: ?Construamos uma Romênia grande, com muitos habitantes. Tenham muitos filhos. O Estado vai atender as crianças em seus orfanatos, caso não lhes seja possível cuidá-los?. Por isso, uma mulher que tivesse menos de três filhos era muito mal vista, quase como inimiga do Partido comunista da Romênia. Essa mentalidade de uma grande Romênia, pelo número de seus habitantes, ainda sobrevive.

Quais são as condições para as crianças entrarem e residirem no centro em que trabalha?
No momento em que se origina uma vaga, porque uma criança se reintegra numa família ou deixa o programa por alcançar a maioridade de idade, comunicamo-lo à Direção Geral da Proteção da Criança. Não podemos admitir diretamente nenhuma criança. Toda criança que vem a nós é fruto de uma medida de proteção para o menor.

Há crianças de rua que permanecem fora da rede estatal?
Não; o Estado romeno atende realmente a todas as crianças abandonadas. O problema é que o serviço é tão ruim que as crianças preferem ficar na rua em vez de serem acolhidas. Atualmente, aumenta o fenômeno das crianças de rua devido à imigração. Os pais desses menores vão a outro país com a intenção de melhorar a qualidade de vida, mas deixam os filhos, na melhor das hipóteses, com as avós, os tios e outros familiares, ou simplesmente com um conhecido. As crianças costumam passar muito tempo sem relação com seus pais e, quando estes desejam retomá-los, os próprios filhos se recusam e, logicamente, nascem grandes conflitos.

Como funciona o programa do ?Centro S. Marcelino Champagnat??
Trabalhamos, em primeiro lugar, todos os aspectos educativos. Os meninos vão a diversos colégios do bairro, porque pensamos que não convém criar guetos com essas crianças. Desejamos que alcancem o mais alto nível educativo. Também colocamos muita energia em favor da socialização dos menores e aproveitamos o descanso e o tempo livre como oportunidades educativas: atividades culturais, excursões, cinema, jogos organizados e teatro enchem os fins de semana e as férias. Providenciamos também para que os meninos e as meninas tenham, na medida do possível, contato com suas famílias.

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Hogares de Esperanza, p. 6
nº 18. Junio, 2010. Edición española
Hermanos Maristas de Rumanía. Centro ?San Marcelino Champagnat?

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