29 de setembro de 2009 NIGéRIA

Leigos maristas na África

A participação dos leigos na espiritualidade a na missão dos Irmãos Maristas não data de hoje. Antes disso, pequenos grupos de pessoas se identificaram com os Irmãos Maristas sob diferentes nomes, tais como o Movimento da Família Marista, o Movimento Champagnat da Família Marista, a Juventude Marista, etc. As atividades destes grupos passaram por várias transformações, crescendo até o que hoje temos como a Associação dos Leigos Maristas.

É evidente que estes leigos e leigas, através do zelo com que trabalham com os irmãos para a realização de sua missão, desejam participar mais da espiritualidade dos Irmãos Maristas.

Na África, utilizando a província da Nigéria como ponto de partida, o progresso do grupo foi rápido. Em 2004, o encontro inaugural do grupo foi organizado no pavilhão do Ir. Alban Okoye, com poucos membros leigos e com a participação de alguns irmãos. O Ir. Fabian Okeke, diretor dos leigos maristas na Nigéria, aproveitou da ocasião para explicar formalmente o significado da participação dos leigos na missão dos Irmãos Maristas.

A primeira convenção do grupo na Nigéria foi realizada de 15 a 17 de dezembro de 2006, contando com a participação de aproximadamente 150 membros. Foi realizado um encontro na região central com as fraternidades, que posteriormente tiveram um mês para organizar suas reuniões. Foram também programados retiros anuais no âmbito da região e grande número de fraternidades esteve empenhado no apostolado de ajudar os mais necessitados, lecionando para os estudantes em dificuldades em suas escolas e visitando os doentes e os que mais precisavam.

Colhendo algumas opiniões, pôde-se concluir sobre algumas possíveis razões pela falta de interesse dos membros do grupo:

Motivo econômico: Alguns membros ficam desanimados quando se fala do pagamento de uma pequena taxa mensal. Eles consideram que os irmãos devem custear as atividades do grupo.

Crença religiosa: Ao descobrirem que a Santíssima Mãe está ao centro de nossa missão, os não católicos ficam desiludidos e se retiram.

Ganhos materiais: Ao descobrirem que os irmãos não distribuem alimentos ou ajudas em dinheiro, alguns membros deixam de participar do grupo.

Cerca de 120 membros atuais reforçaram seu pedido de maior participação na missão dos irmãos. Alguns deles desejam ser apenas observadores e não querem se identificar com as atividades do grupo. Apesar dessas dificuldades, o grupo atual é sólido e bem determinado.

Em outras províncias e distritos na África os irmãos também têm um grande reconhecimento pelos leigos maristas:

– Na província da África Austral existem os colaboradores leigos.
– O grupo no Zimbábue é forte, porque eles procuram viver profundamente a espiritualidade e a missão em seus locais de trabalho.
– Na Tanzânia existe uma fraternidade do Movimento Champagnat da Família Marista que se reúne uma vez por mês. Eles seguem uma formação sobre a doutrina social da Igreja utilizando os documentos do concílio Vaticano II. Eles têm também como apostolado a preparação dos jovens para o casamento.
– No leste do Congo, existe um pequeno grupo na universidade, que se reúne uma vez por mês. Eles estão empenhados no apostolado que cuida dos meninos de rua.
– O grupo do distrito da África Oeste é ainda jovem e com poucos membros.
– Em Madagascar existe uma forte presença, que nos estimula a crescermos e sermos ainda mais do que o número atual.

ACEITAÇÃO NA FAMÍLIA MARISTA

Segundo a circular de convocação para o 21° Capítulo geral, página 14, parágrafo 3°:

Apesar de leigos consultores e observadores terem participado de Capítulos anteriores, nosso encontro de 1993 ficou marcado como a primeira vez em que um significativo grupo deles foi convidado.

Página 27, parágrafo 4°:

Nossa assembléia da missão, em Mendes, é outro bom exemplo de um novo esforço para incluir um significativo número de leigos e leigas, assim como de irmãos, como elemento importante no estágio preparatório do Capítulo.

O que foi citado acima mostra a aceitação dos leigos pelos irmãos no interior da família marista e o reconhecimento do papel significativo que eles podem ter nas decisões tomadas, e que ajudarão na definição de sua identidade, nos processos de formação e a grande participação na espiritualidade e na missão dos irmãos.

No geral, os leigos maristas africanos estão muito empenhados em todos estes níveis de encontros com os irmãos. Dois leigos africanos, sr. Achi Godwin (Nigéria) e sra. Adrienne Egbers (África do Sul), participaram do grupo de leigos consultores, que se reuniu em Roma, em 2005. Dois africanos também participaram da Assembléia internacional da missão, que se realizou em Mendes, no Brasil, em 2007. Suas participações nestes encontros reforçaram o laicato marista da África. Começamos a nos sentir reconhecidos e aceitos na família marista e hoje a África está também representada neste 21° Capítulo geral pelo sr. Rufus Chimezie Ozoh. Gostaríamos ainda de dizer que este acompanhamento deverá prosseguir, partilhando o nosso carisma na família marista.

DESAFIOS DOS LEIGOS MARISTAS DA ÁFRICA

É obvio que existem alguns desafios que desencorajaram muitos leigos na África. Dentre eles:

Identidade: Este é o principal assunto que devemos enfrentar atualmente. Alguns membros ainda precisam entender seu papel na família marista. São duas as maiores questões: Somos iguais aos irmãos? Qual o nível de participação na espiritualidade marista? Ainda, o assunto da identidade não está muito claro.

Aceitação pelos irmãos: Alguns irmãos em algumas províncias e distritos da África ainda não reconheceram totalmente o laicado marista. Alguns os vêem simplesmente como colaboradores em seus vários campos de apostolado. Eles ainda não se empenharam suficientemente para encorajar os parceiros leigos.

Formação: O laicado marista sente que ele pode ter um processo próprio de formação, para que esteja totalmente integrado na espiritualidade marista.

O CAMINHO PELA FRENTE

1. O assunto da identidade deve ser encarado de maneira justa. Ela não pode ser confundida ou ser tratada como uma ameaça para a identidade dos irmãos.

2. Nas províncias e distritos onde a presença dos leigos maristas é fraca, os irmãos devem criar nas pessoas a consciência e explicar claramente a missão dos leigos e sua ligação com os irmãos.

3. Uma maior participação na missão e na espiritualidade dos irmãos poderia ser um caminho no futuro para fortalecer o movimento dos leigos maristas na África.

4. Deveria ser elaborado um compreensível guia de formação, para ser devidamente seguido pelas várias fraternidades em todas as unidades administrativas.

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Sr. Ozoh Rufus Chimezie
Convidado dos leigos maristas africanos
no Capítulo Geral
Roma, 19 de setembro de 2009

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