Carta de Marcelino – 163

Marcellin Champagnat

1837-12-12

O Padre Champagnat recomenda ao pároco que não sobrecarregue os Irmãos de trabalhos. Já fazia meses que se tratava da instalação dos Irmãos em Perreux. Finalmente, o Padre Fleury escreveu com data de 5 de dezembro: Padre Superior, seus três Irmãozinhos, Justin, Prosper e Agappe aqui chegaram no dia 14 de novembro. A abertura das aulas foi no dia 21, com Missa, muito entusiasmo e total aprovação dos meus paroquianos. São 150 alunos, só duas aulas.
Continuando, o pároco cheio de ardor apostólico pede ao Padre Champagnat que mande um Irmão possuidor de Diploma (Brevet) para assim poder receber da prefeitura os subsídios que são da alçada do poder público.
Por fim, coloca a escola sob a proteção de Nossa Senhora. O zeloso pároco morreu em março do ano seguinte e três meses após, o nosso Irmão Justino também falecia santamente, com apenas 18 anos! Cf. Biogr. p. 338)

Senhor Pároco,
Recebi com agrado o noticiariozinho que me mandou sobre a instalação de nossos Irmãos na sua paróquia. De todo coração desejo que correspondam plenamente ao seu zelo e ao de seus paroquianos pela educação da juventude que lhes é confiada.
Tenho pena de vê-los carregados de um tão grande número de alunos, em compartimentos tão exíguos. A saúde deles está em jogo; não poderão agüentar por muito tempo neste ambiente. Peço-lhe, por favor, não os acabrunhe deste modo.
Tínhamos combinado que neste ano não receberíamos senão um número reduzido de alunos, porque o espaço não é suficientemente amplo. Portanto, impõe-se fazer uma escolha.Espero que na primeira visita que eu tiver a oportunidade de lhe fazer, encontrarei as modificações em boa ordem, conforme nossos ajustes e que eu não tenha que me arrepender de ter passado por cima de nossos costumes e de lhe ter mandado Irmãos neste ano, apesar dos motivos que tínhamos para diferir o envio dos mesmos.
Quanto à proposta que o senhor me faz de encarregar o terceiro Irmão de uma classe, é coisa que nunca permitiremos. Para abrir uma terceira classe, faz-se mister dispor de mais um Irmão. A exigência é a mesma para as aulas de adultos que funcionam à tarde. Fiquei muito surpreendido, direi até zangado, por ter o Irmão Diretor resolvido abrir mais esta sala de aula, sem nos consultar, sobretudo sabendo quanto lhe custou para se restabelecer da doença que contraiu num estabelecimento onde matriculara um número excessivo de alunos.
Escrevo a ele duas palavras para mandá-lo suspender o funcionamento dessa classe por este ano. Peço-lhe que não faça admoestações ao Irmão por esse motivo. No ano próximo, talvez seja possível a gente se entender a respeito.
Fornecemos a planta da nova construção aos nossos Irmãos que estavam indo para Semur recomendando-lhes que a deixassem na casa do Padre Dubeau, pároco de Roanne. Provavelmente a deixaram extraviar-se mas poderemos mandar-lhe outra imediatamente, caso a primeira esteja perdida.
Já o tinha prevenido que não poderia contar, de imediato, com um Irmão diplomado. Não posso dar-lhe nenhuma informação precisa a respeito dos procedimentos a seguir para que consiga a remuneração de professor, pois lhe falta o requisito principal: Ter um Irmão diplomado.
Queira aceitar os sentimentos de respeito com que tenho a honra de ser, venerável Pároco, seu servo muito humilde e obediente,
Champagnat
N. D. de lHermitage, 12 de dezembro de 1837.

Edição: Marcelino Champagnat. Cartas - SIMAR, São Paulo, 1997

fonte: Daprès la minute, AFM, RCLA 1, pp. 74-75, nº 81; éditée dans CSG, 1, p. 238

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