Carta de Marcelino – 219

Marcellin Champagnat

1838-10

Blaise Aurran foi grande benfeitor de várias instituições de caridade, entre outras a escola dos PETITS GARÇONS, dirigida pelos Irmãos, em Charlieu.
O Padre Champagnat tinha-lhe fornecido a planta para uma construção que futuramente serviria para abrigar um noviciado, no Sul da França, na cidade de Lorgues (Var).
Nesta carta, o Padre Champagnat informa o seu benfeitor que não poderá fornecer Irmãos tão cedo quanto pensava. Aproveita a ocasião para agradecer a generosa contribuição que o senhor. Blaise dera à escola de Charlieu. Como era cristão fervoroso, Champagnat promete mandar-lhe um livro de Meditações sobre a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, da autoria de Ana Catarina Emmerich.
A fundação do projetado noviciado estava marcada para a Festa de Todos os Santos de 1840, mas as autoridades municipais de Lorgues não concordaram quanto à quantia que destinariam ao pagamento dos Irmãos.
Depois, não sabemos como nem por quê, os Irmãos de São Gabriel abriram lá um internato. Mais tarde, através de negociações com o Irmão François, os Irmãos de São Gabriel passaram para os Irmãos Maristas todo o setor que possuíam na Provence. Foi só então, em 1846, que o Irmão Palémon abriu uma escola primária em Lorgues. (Notícia inserida no Bulletin t. VIII, p. 20)

Prezado Senhor,
Somos-lhe muito gratos pelo empenho que o senhor continua mostrando pela fundação de um noviciado de nossos Irmãos, em Lorgues. Estamos plenamente dispostos a ir ao encontro de seus generosos esforços, no que depender de nós. Assim que nossos Irmãos estiverem colocados em seus diversos estabelecimentos, ocupar-nos-emos do projeto que o senhor nos solicita. Como isto exige muita reflexão e no momento estamos ocupados com a dificuldade das colocações dos Irmãos, estamos obrigados a fazê-lo esperar alguns dias. Não vemos por ora que nos seja possível prometer-lhe com firme e absoluta certeza todos os Irmãos que o senhor está pedindo, mas faremos tudo o que de nós depender para dar prosseguimento à sua piedosa benemerência. Mas, se o seu ardoroso empenho encontrar em outras fontes meios mais rápidos e seguros para realizar o bem que pretende, não seremos nós que lhe poremos obstáculos. Antes de tudo, a glória de Deus e o bem das almas!
Na entrevista que me foi dado manter com o senhor, falei-lhe de um estabelecimento de nossos Irmãos para a instrução dos meninos carentes, na cidadezinha de Charlieu, no Loire. Tomo a liberdade de lhe lembrar o caso, e o faço com a maior confiança porquanto o senhor é duas vezes benemérito daquela instituição, por livre e espontânea vontade.
Quatorze anos já se passaram, durante os quais a juventude do lugar vem recebendo instrução sólida e cristã. Eis que por intriga de gente malévola a casa se acha em tal estado de miséria que não vejo como continuarmos a mantê-la com resultado. Cento e cinqüenta meninos vão ficar sem instrução ou cair nas mãos de mercenários. Coitados dos meninos! Há vários meses que estão pedindo a Deus que os socorra, suscitando em seu favor algum protetor poderoso e cheio de generosidade. Atrevo-me a apresentar ao senhor os anseios e súplicas deles. Com a certeza de que retribuirão com profunda gratidão, por favor queira colocá-los na grande família dos órfãos dos quais o senhor se constitui benfeitor e pai.

P.S. Estou feliz de poder dar-lhe um sinalzinho de meu reconhecimento: Estou mandando-lhe as Meditações sobre a Dolorosa Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, da autoria da Irmã Ana Catarina Emmerich. Vou mandar o livrinho para a residência do Padre Boui, Superior do Seminário Maior de Aix.

Edição: Marcelino Champagnat. Cartas - SIMAR, São Paulo, 1997

fonte: Dapres la minute, AFM, RCLA 1, p.107-108, nº 122

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