Carta de Marcelino – 230

Marcellin Champagnat

1838-12-04

Depois de se dirigir ao pároco, o Padre Champagnat escreve também ao prefeito da mesma localidade para renovar a reclamação feita antes ao Padre Venet: pagamento dos salários dos Irmãos.
O prefeito foi investigar as causas do desfalque na folha do pagamento - 300 francos a menos - e prometeu acertar as contas.
Achou a causa. É que havia escolas clandestinas que admitiam alunos com mensalidades menores. Evasão das escolas regularmente autorizadas, donde também resultava sensível diminuição das receitas.
O prefeito tratou de sanar logo as irregularidades.

Senhor Prefeito,
Já faz vários anos que a escola primária de Mornant tem sua direção confiada aos nossos Irmãos. Não ponho em dúvida o interesse que o senhor tem por ela. É o que me induz a vir expor-lhe com toda confiança a situação constrangedora em que se encontram os Irmãos, a saber:a falta de pagamento completo.
No ano passado, a receita total deles foi de apenas 900 francos; faltam portanto cem escudos para inteirar os mil e duzentos francos que estamos exigindo para o pagamento dos três Irmãos. É quantia módica que não basta para cobrir as despesas com alimentação, vestuário, etc., e desta quantia não podemos subtrair absolutamente nada, sem comprometer o equilíbrio entre receita e despesa. Queremos, no entanto, que nossos Irmãos, amparados pelo senhor, continuem a trabalhar na educação cristã dos meninos do município.
Aí está, senhor Prefeito, a razão pela qual vimos rogar-lhe o favor de entrar em acordo com o Conselho Municipal, com o fim de encontrar os meios de garantir o pagamento deles.
Chegam-nos de toda parte pedidos de abertura de escolas gratuitas, com fonte de pagamento garantida, com ordenado fixo para os Irmãos. Querem por força que lhes mandemos Irmãos.
Para tomar uma decisão final sobre o caso senhor Prefeito, vou esperar sua resposta.
Queira aceitar…

Edição: Marcelino Champagnat. Cartas - SIMAR, São Paulo, 1997

fonte: Daprès la minute, AFM, RCLA 1, p. 118, nº 136

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