15 de março de 2012 MOçAMBIQUE

Projeto Ad Gentes

De 27 de fevereiro até 2 de março foi realizado no noviciado da Província da África Austral, em Matola, Moçambique, um seminário sobre o Projeto Ad Gentes. Participaram do encontro os 15 noviços e a equipe de formação. Este Seminário foi orientado pelo Coordenador Ad Gentes Irmão Teófilo Minga. No método, copiando um pouco o título do livro do Cardeal Martini, “Conversações noturnas em Jerusalém” criaram, cada dia, as “Conversações noturnas no noviciado da Matola”. Eram 45 minutos depois da refeição da noite em que se revia o dia deixando falar o coração e partilhando com os outros, de uma forma reflexiva e quase orante, a riqueza do dia que terminava. O exercício revelou-se muito útil. E passaram nestas Conversações os 5 temas do Seminário: o passado de Ad Gentes; o presente de Ad Gentes; o futuro de Ad Gentes; um dia com São Paulo; testemunhos do grupo 2012.

Conversação noturna I – O passado de Ad Gentes

 Eram 45 minutos depois da refeição da noite em que revíamos o dia. Sem papéis, sem computador, sem imagens, tratava-se de deixar falar o coração e partilhar com os outros de uma forma reflexiva e quase orante a riqueza (ou também a pobreza) do dia que terminava. O exercício revelou-se muito útil. Suprimimos, como é evidente, o nome dos intervenientes.

·         O que a mim me surpreendeu foi a nota de alegria, de esperança e de ação de graças que experimentámos neste seminário mostrou ao falar de Ad Gentes. Ad Gentes foi um acto de ousadia do Instituto que acolhemos na alegria e pelo qual damos graças a Deus.

·         Eu não deixo de dar graças a Deus pela presença dos nossos irmãos e leigos missionários na Ásia. Retive do dia que a sua presença nesses países longínquos é uma chamada pessoal de Deus. A sua resposta a essa chamada só pode ser uma resposta de amor. Neste sentido foi muito interessante o texto do Papa que analisámos: “A caridade (o amor) é alma da missão”.

·         O que eu sublinharia é a resposta do Instituto ao apelo do Papa para a evangelização da Ásia. Admiro a abertura e a generosidade desses irmãos e leigos que tudo deixaram para servir o Senhor na pessoa dos mais pobres. Na Ásia encontramos muita pobreza. Eu não sei se serei capaz de estar na linha de fronteira da atividade missionária. Sei que posso rezar todos os dias pelas missões, como o Papa sugere no seu texto.

·         Eu gostei do itinerário missionário da Congregação e de saber como a atividade missionária estava já no coração do P. Champagant. Eu creio que podemos estabelecer um paralelo entre a famosa frase do Fundador: “Para educar uma criança é necessário amá-la” e o texto do Papa sobre o qual hoje refletimos: “ A caridade é alma da missão”. Partir para as missões é um gesto de amor. Só o amor explica a atividade missionária da Igreja. È fácil estar de acordo com o Papa. E eu tentaria uma definição da atividade missionária da Igreja: “A atividade missionária da Igreja é uma atividade que lhe foi confiada pelo Senhor Jesus e que se traduz em comunicar a cada criatura a vida divina que o Senhor trouxe sobre a terra”.

·         Eu concordo contigo quando dizes que não há atividade missionária sem um verdadeiro amor. Mas é um amor que vem do eterno pai e que Jesus depositou nos nossos corações. Gostei muito da frase do Papa que o animador sublinhou duas ou três vezes: “O amor fraternal que o Senhor pede aos seus ‘amigos’ tem a sua origem no amor paternal de Deus”. Para sermos eficazes na missão temos que viver desse amor, a nossa vida tem que ser guiada por esse amor.

·         É interessante o que estamos dialogando. Os noviços do segundo ano já estudaram as Constituições e lembram-se do artigo 2 que fala do Carisma do Fundador. Esse artigo fala do P. Champagnat guiado pelo Espírito, mas cativado pelo amor de Jesus e de Maria. Temos aqui um caso concreto do que dizias citando antes a frase do Papa: tudo parte do amor paternal de Deus. Segundo a intuição expressa no nosso livro de Espiritualidade, Água da Roca, é esse amor forte de Deus que Champagnat experimenta na sua vida, que o leva a fundar a Congregação, para o bem das crianças. Assim a fundação do Instituto é um ato de amor que parte do amor do Pai para depois ser realizado e multiplicado no amor a cada criança que nos é confiada.

·         A missão Ad Gentes quer ser uma gota de água a mais neste oceano de amor que a Congregação está vivendo. Mas as coisas na Ásia, não vão tão depressa como se pensava no começo. Aprendi que temos que respeitar o ritmo das pessoas. E como há o ritmo das pessoas também há o ritmo dos continentes. Aprendi que ser missionário na Ásia é diferente de ser missionário na América Latina. O que é importante é pôr em prática o evangelho de hoje onde quer que estejamos (Mt 25, 31-46, 27 de Fevereiro de 2012): realizar o bem, sem olhar a quem.

·         Creio que está muito interessante esta “conversação noturna” desta noite, mas temos que terminar. E vamos terminar com uma pequena oração tirada do Credo do Irmão Benito, antigo Superior Geral: “Creio que os Irmãos de África. América, Ásia, Europa e Oceânia, são uns para os outros, um presente do Senhor”. Louvamos o Senhor por este dom mútuo dos Irmãos de uns para outros onde o Senhor os chama a servir na missão.

Conversação noturna II – O presente de Ad Gentes

Continuamos hoje as nossas conversações noturnas depois de um dia de trabalho bastante intenso. Depois de termos visto os inícios e o quadro que estabeleceu os projeto Ad Gentes em 2005, hoje foi o dia de ver a situação atual. Onde é que se encontra o projeto Ad Gentes? Como irá ele evoluir? As apresentações vistas na parte da manhã e o excelente texto de Bento XVI (Mensagem para o Domingo Mundial das missões de 2007) estudado na parte da tarde constituíram o nosso alimento ao longo do dia. Individualmente ou por grupos partilhamos a riqueza deste dia na segunda conversação noturna.

·         Eu fiquei particularmente atento à unidade que somos chamados a viver na diversidade. Gostei de ver a fotografia de algumas comunidades Ad Gentes e não deixava de ficar admirado pela variedade cultural dos Irmãos que as compunham. Lembrei-me de um número das Constituições que fala das nossas diferenças e da complementaridade que existe nessas diferenças. As comunidades Ad Gentes são um extraordinário exemplo de variedade na unidade marista. Creio que deve ser um belo testemunho para as pessoas que vêem essas comunidades.

·         De todo o texto de Bento XVI, eu fiquei impressionado como ele sublinha a ideia de cooperação e colaboração entre as jovens Igrejas e as Igrejas da “antiga tradição”. Creio que a palavra cooperação aparece 8 ou 9 vezes no texto. É fácil aplicar esta ideia à colaboração que deve existe entre as diferentes províncias maristas.

·         Eu gostaria de continuar a tua ideia sobre a colaboração entre as Igrejas. De fato a ideia não é de Bento XVI. Lendo atentamente o texto vemos que ele foi buscar a ideia ao seu antecessor Pio XII que quis precisamente promover a colaboração entre todas as Igrejas particulares ao escrever a Encíclica Fidei Donum. Deve ter sido uma grande Encíclica ao falar da necessidade de relançar a atividade missionária para enfrentar os sérios desafios do tempo: estamos a falar de uma situação há 55 anos.

·         No nosso grupo também o que nos impressionou foi essa mesma ideia de colaboração. E o Papa Pio XII refere mesmo “uma colaboração entre as Igrejas para a missão ad gentes”. Eu liguei esta ideia à notícia que nos foi apresentada com algumas imagens e que fazia referência ao novo Secretariado criado em Roma com o nome de Secretariado da COLABORAÇÃO MISSIONÁRIA INTERNACIONAL. Estamos sempre no domínio da colaboração. Isto é uma boa notícia para o Instituto. Chega 55 anos depois da Encíclica Fidei Donum, mas pode desenvolver entre as províncias (como Fidei Donum desenvolveu entre as dioceses) uma colaboração extraordinária.

·         Eu fixei minha atenção logo na canção que abriu a nossa sessão da manhã: “Dá-nos, Senhor, um coração novo”. Uma bela oração-canção que se situa bem dentro da perspectiva de nosso último Capítulo: “Corações novos para um mundo novo”. Vejo o projeto Ad Gentes como uma novidade de grande importância na Congregação. Talvez para o levar para a frente sejam necessários mesmo corações novos e mentalidades novas. É algo de belo que já nasceu, mas que deve ser consolidado. Não deixo de admirar os 41 Irmãos e os 5 leigos que aí se encontram. Creio que a vocação Ad Gentes é uma vocação dentro da vocação. De fato trata-se de uma chamada.

·         Eu fico impressionado com o trabalho que os Irmãos do Canadá fizeram aqui no nosso continente, principalmente no Malawi e no Zimbabwe. Não poderíamos nós retribuir tanta generosidade desses irmãos agora que são anciãos e estão doentes? Todo o espírito do texto de Bento XVI é esse de que as jovens Igrejas devem colaborar com a Igrejas mais antigas. (O irmão é esclarecido de que isso já se está fazendo).

·         A mim pessoalmente e no meu grupo ficamos impressionados pelo desprendimento dos irmãos que partiram. O projeto responde ao desejo de Capítulo de ter uma presença significativa no meio dos jovens pobres. Nas fotos vimos que os Irmãos vivem de uma maneira muito simples. Algumas casas pareciam bem pobres.

·         Eu queria sublinhar um ponto que ainda não foi referido e que está bem presente no texto do Papa: a necessidade de oração pelas missões e pelos missionários. Não tenho a certeza mas creio que o nosso Fundador dizia o mesmo. Que era preciso rezar pelos Irmãos que partiam para as missões.

Conversação noturna III – O futuro de Ad Gentes

Hoje foi um dia bastante intenso. Particularmente interessante foi a sessão de fotografias mostrando diversos aspetos da missão Ad Gentes e das comunidades existentes. Cada fotografia parecia carregar uma mensagem. Com a explicação que a acompanhava pudemos tocar de perto as alegrias e as dificuldades dos nossos missionários Ad Gentes. O texto do Papa (Mensagem para o Domingo Mundial das missões de 2008) pareceu um pouco mais difícil que os anteriores. Era o texto do ano Paulino. Daí as várias referências ao Apóstolo dos Gentios no texto. Tudo isso serviu para a nossa terceira conversação noturna.

·         Não há dúvida de que uma das coisas que hoje me impressionou mais (e estou convencido de que impressionou todo o grupo) foi a sessão de fotografias pela manhã. Deu-nos uma imagem completa da que os nossos irmãos e leigos missionários estão fazendo já, ou projetam fazer num futuro próximo. Poderia lembrar algumas assim de cor que sem muitos comentários chamam logo a nossa atenção: a pobreza da casa dos Irmãos em um sítio; a amizade da família que acolheu os Irmãos; os budistas a rezar em Bangkok. Eu nunca imaginaria uma coisa assim.

·         Eu também fiquei impressionado com o conjunto das fotografais que vimos. Através delas eu pude admirar a doação total dos nossos irmãos Ad Gentes, mas ao mesmo tempo as dificuldades que enfrentam nos seus apostolados. A mim impressionou-me aquela que mostra as crianças de Myanmar a serem ajudadas pela Irmãs Dominicanas com que os Irmão trabalham porque não conhecem a língua local. É um lindo apostolado, esse com as crianças refugiadas. Sem dúvida essas crianças refugiadas estão entre as mais necessitadas. Senti em mim uma grande vontade de me dar também totalmente ao meu apostolado como eles fazem Esses Irmãos são para mim um belo exemplo de dedicação e de amor aos mais pobres.

·         Eu queria salientar algo do texto do Papa. Valendo-se de São Paulo fala da Criação que também necessita de ser libertada e renovada. Creio que isso é importante quando vemos tantos desastres naturais e o clima completamente mudado. Devemos respeitar a natureza. Mas o Papa não fala só da Criação que sofre. Fala também da humanidade, toda a humanidade que deve ser resgatada e libertada. Aqui é muito fácil de compreender porque logo de seguida o Papa fala de vários aspectos que são preocupantes. No texto eu encontrei três: violência, pobreza e discriminação. Como poderão os Irmão e Leigos Ad Gentes fazer algo contra tudo isso? O trabalho de que falavas antes, com as crianças de Myanmar é algo que pode ser visto contra a descriminação.

·         Eu queria voltar a uma coisa que ouvimos durante o dia quando se falou dos Irmãos na Coreia. Fiquei admirado ao saber que eles não têm escolas quando este me parece o trabalho dos Irmãos Maristas. Mas logo a seguir compreendi que o trabalho dos Irmãos tem que se adaptar às situações locais e às necessidades das pessoas. Este é um desafio grande para os Irmãos em Ad Gentes como nos foi dito durante o dia. Compreendo que não fácil encontrar muito projetos para as deferentes comunidades Ad Gentes e isso pode desanimar alguns Irmãos.

·         Eu gostaria de falar sobre a formação. Esses Irmãos que partiram e os Leigos também que formação tiveram. A resposta já foi mais ou menos dada na sessão da manhã. Mas eu quero também referir-me à formação dos Irmãos nas Províncias e a consciência nas casas de formação sobre o trabalho missionário da Congregação. Pelo que sabemos a Congregação sempre foi missionária. Não poderia haver mais Irmãos já em Ad Gentes? (As questões levantadas por este Irmão geraram um bom diálogo na Assembleia, incidindo muito sobre a formação dos Irmãos nas Províncias).

·         Eu queria voltar ao texto do Papa e salientar uma coisa que me impressionou porque o animador já tinha dito algo de parecido para o Irmãos. O Papa afirma, citando uma ideia que já vinha de João Paulo II em Redemptoris Missio, 63, que o Bispo não é consagrado apenas para a sua diocese; ele é consagrado para a salvação de todo o mundo. A ideia que já ouvimos várias vezes neste Seminário de que os Irmãos são Irmãos para a Congregação embora pertençam a uma província deve inspirar-se nesta passagem de João Paulo II que Bento XVI retoma. Não sei se será fácil pôr em prática uma ideai destas. Exige muita coragem. Mas é um caminho a seguir no futuro, onde como também já nos foi dito várias vezes as comunidades tendem a ser mais interculturais e internacionais. Vimos que algumas comunidades Ad Gentes são assim.

Conversação noturna IV – Um dia com São Paulo

Hoje tivemos um dia passado em companhia de São Paulo. A apresentação visual sobre “São Paulo, primeiro missionário de Cristo”, embora pequena era rica de conteúdo. O texto do Papa (Mensagem para o Domingo Mundial das missões de 2009) que lemos de tarde ajudou a completar algumas ideias da apresentação visual. Vimos que Ad Gentes avança e se consolida pouco a pouco. Foi um dia que prendeu muito a nossa atenção porque São Paulo foi para nós uma revelação. É um bom companheiro para os missionários de hoje pelo seu amor indefectível a Cristo e às comunidades que fundava. Valeu a pena. Com Paulo foi fácil dar conteúdo à nossa quarta conversação noturna.

·         O que chamou mais a minha atenção hoje foi o pequeno filme que nos mostrou diferentes maneiras de rezar, vindas de diferentes religiões. Fiquei com a ideia mais clara de que podemos chegar a Deus de vários modos. E creio que nenhum modo de rezar é melhor que os outros. São diferentes. Vi por exemplo, como os orientais gostam muito do incenso na oração. Aqui em África não usamos muito o incenso. Mas dançamos muito nas missas para expressar a nossa religiosidade.

·         Eu fiquei deveras admirado pelo exemplo de Paulo. Como pôde ele viajar tanto já na altura e com tantas dificuldades. Uma das viagens levou 8 ou 9 anos de acordo com o que vimos. Parece incrível. Não há dúvida de que foi realmente “apanhado” por Cristo no caminho para Damasco. A partir dessa experiência foi um apaixonado por Cristo. Creio que todo o missionário Ad Gentes tem que ser assim um apaixonado por Cristo. Se não até pode desanimar na sua missão.

·         Eu também fiquei muito impressionado com tudo o que se disse sobre Paulo. A partir dos poucos textos que foram mencionados, e a partir do texto que vamos estudar mais em detalhe (2 Co 5, 17 – 6, 1 – 10) ficamos admirados pelo seu amor exclusivo por Cristo. Frases como esta: “para mim viver é Cristo” e “Ai de mim se não anunciar o Evangelho” mostram realmente que a sua vida foi uma vida devotada ao Evangelho a partir do momento que descobriu Cristo.

·         Eu gostei do título da apresentação: “Paulo o primeiro missionário de Cristo”, está bem escolhido e está correto. Tive uma grande alegria ao ver esses diapositivos sobre Paulo e ao ler o texto do Papa. Paulo, é realmente o Apóstolo das nações. E que apóstolo! Jesus Cristo era a sua riqueza, era tudo para ele. Além do trabalho missionário, ele trabalhava para não ser um peso para as comunidades que o acolhiam. Gostei de ver esse aspecto na apresentação sobre Paulo. Isto é um belo exemplo para todos os missionários.

·         Com o que hoje dialogamos sobre Paulo, compreendemos melhor o que o Papa diz no texto ao fazer o convite aos bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas e aos leigos para estar mais conscientes do mandato missionário de “fazer discípulos de todas as naçãoes” (cf., Mt 28, 19). É um convite a ser vivido “no rasto de São Paulo, o Apóstolo dos gentios”. Mais do que nos outros textos estudados, o texto de hoje apresenta claramente a missão Ad Gentes, como parte integrante da missão da Igreja. O Papa não deixa dúvidas a este respeito: “Toda a Igreja deve estar comprometida na missão Ad Gentes até que o poder salvífico de Cristo seja totalmente realizado”. E ainda de um modo lapidar a palavra que dirige às Igrejas tanto de fundação antiga, como as mãos recentes. Nos seus planos pastorais, “todas essas Igrejas devem fazer da missão Ad Gentes uma prioridade”. Não podemos ter uma ideia mais clara.

Conversação noturna V – Ad Gentes, uma chamada do Senhor

Entramos no último dia de Seminário. Continuamos a refletir sobre a importância da missão Ad Gentes na Igreja com a ajuda do testemunho de futuros candidatos que se preparam para ingressar no projeto marista de Ad Gentes. Partimos de uma base real e não de uma base teórica. Esses testemunhos têm um impacto mais profundo em nossas vidas. Falam não apenas porque são palavras. Falam sobretudo porque são exemplos de vida. É com eles que construímos a nossa V conversação noturna.

·         O que eu vejo é que a vocação Ad Gentes é uma chamada dentro da chamada mais geral a ser Irmão Marista. Creio que nem todos os Irmãos têm vocação Ad Gentes. Eu não sei se tenho. De todos os modos dá-me uma grande alegria ver o que vimos hoje dos futuros candidatos e as fotografias que vimos estes dias. São uma verdadeira lição e dá-me entusiasmo saber que há gente assim tão generosa. Eu fiquei por exemplo impressionado ao ver a fotografia do casal que pretende ir para missão Ad Gentes, mesmo tendo um filho tão pequeno. São exemplos de grande generosidade. E o que mais alegria me dá é que são Leigos maristas.

·         Certamente é difícil para o casal, como pode ser difícil para o Irmãos. Vimos que houve um bom número de Irmão que voltaram. Sentiram dificuldades, provavelmente. Mas Paulo também teve e muitas. Eu penso que não deve ser nada fácil adaptar-se a culturas tão estranhas e a línguas tão difíceis. Mas é o que se pede ao missionário de hoje. Assim fazendo ele entra um pouco na vida do povo quer tenta evangelizar. Ouvimos que São Paulo foi romano com os romanos, grego com os gregos, judeu com os judeus. É um bom exemplo de missionário. Mas reconheço que deve ser difícil. Mas é o caminho para estar com as pessoas, aproximar-se delas, entrar por pouco que seja no seu mundo.

·          Eu estou a gostar muito do seminário, desde o primeiro dia até agora. Parece que até me sinto transportado aonde estão esses irmãos. Sinto-me muito próximo deles. Ao ver as fotografias e o trabalho que fazem fico muito orgulhoso porque são Irmãos e Leigos maristas. Olho para todos eles e elas com grande simpatia. São parte da nossa história e parece até que já são parte de mim. Eu sei por agora que só posso rezar por eles. A oração aparece em todos os textos do Papa que vimos. A partir de agora eu e creio que todo o noviciado vai ter presente mais frequentemente na sua oração o projeto Ad Gentes. Até aqui pouco ou nada sabíamos sobre esse projeto importante da Congregação. Agora sinto-o como meu.

·         Eu também sinto uma grade alegria ao conhecer melhor este projeto. Concordo contigo: esse projeto agora é também nosso. É parte de nós. Quero dizer que no meu grupo não houve dificuldades para ler os textos do Papa. É uma excelente reflexão sobre a missão da Igreja e concretamente sobre a missão Ad Gentes. Agora que conhecemos o projeto, eu gostava que o Irmão Teófilo continuasse a mandar-nos mais informação sobre Ad Gentes. Seria uma maneira de continuar o que vimos e vivemos aqui durante esta semana. Seria uma pena que tudo ficasse só por aqui.

Terminávamos com uma pequena oração a Maria, servindo-nos da oração do Papa no final de um texto lido e estudado: “Que a bem-aventurada Virgem Maria, estrela da nova evangelização, guie toda atividade missionária da Igreja”.

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Os noviços e equipa de formação de Matola, Moçambique
Matola, 2 de Março de 2012.  

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